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Intensos combates em Kiev; Putin diz para Exército ucraniano tomar o poder

"Tomem o poder com suas mãos", declarou ele ao Exército ucraniano.
13:48 | Fev. 25, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

As forças ucranianas combatiam, nesta sexta-feira (25), os soldados russos na capital Kiev, no segundo dia de uma invasão lançada por Vladimir Putin que, ignorando as sanções ocidentais, pediu ao Exército ucraniano que tome o poder.

Um dia após o início ordenado por Putin deste conflito que pode ser o pior na Europa desde 1945 - já com mais de 100.000 pessoas deslocadas -, os europeus anunciaram novas sanções contra a cúpula do poder russo.

O presidente russo parece, no entanto, determinado a continuar sua ofensiva e a conseguir uma mudança de regime na Ucrânia, chamando o governo do presidente Volodimir Zelensky de "drogados e neonazistas".

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"Tomem o poder com suas mãos", declarou ele ao Exército ucraniano. "Parece-me que será mais fácil negociar entre vocês e eu", acrescentou.

Pouco antes, o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, havia pedido uma rendição. "Estamos prontos para negociações assim que as Forças Armadas ucranianas ouvirem nosso chamado e depuserem as armas", afirmou em Moscou.

O porta-voz do Kremlin também ressaltou que Putin está pronto para enviar uma delegação a Minsk, em Belarus, "para negociações com uma delegação ucraniana".

Mas as autoridades ucranianas parecem determinadas a lutar contra o invasor, enquanto as primeiras unidades russas que entraram nos bairros da zona norte de Kiev faziam suas primeiras vítimas.

 

No bairro residencial de Oblon, a AFP viu um civil morto em uma calçada, enquanto paramédicos resgatavam outro, preso em um carro esmagado por um veículo blindado.

Moradores disseram ter visto dois corpos que pareciam ser de soldados russos mortos, mas a AFP não pôde confirmar essa informação.

As forças ucranianas também relataram combates contra unidades blindadas russas em dois locais entre 40 e 80 km ao norte de Kiev.

As tropas russas também se aproximam da capital pelo nordeste e leste, de acordo com os militares ucranianos.

Depois que muitos moradores fugiram na quinta-feira, o centro de Kiev, uma metrópole de cerca de três milhões de habitantes e agora sob toque de recolher, parece uma cidade-fantasma.

Homens armados e blindados montavam guarda nas principais artérias próximas aos prédios do governo.

Poucos transeuntes paravam para conversar, enquanto sirenes e explosões soavam em um céu nublado.

"Ontem à noite eles começaram a bombardear bairros civis. Isso nos lembra (a ofensiva nazista) de 1941", disse Zelensky esta manhã, falando a frase em russo.

Ele elogiou o "heroísmo" da população diante de uma invasão que, segundo ele, deixou pelo menos 137 mortos e 316 feridos do lado ucraniano, garantindo que seus soldados estavam fazendo "o possível" para defender o país.

O Ministério ucraniano da Defesa pediu aos civis em Kiev "que nos informem sobre os movimentos inimigos: façam coquetéis molotov, neutralizem o ocupante!".

As autoridades russas não deram qualquer indicação das perdas sofridas.

 

Zelensky criticou os europeus por serem muito lentos em apoiar a Ucrânia. Ele convocou aqueles com "experiência de combate" para irem lutar no lado ucraniano.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, cujo país é membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), também criticou a UE e a Aliança Atlântica por sua inação.

"A guerra é total", disse o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, considerando "preocupante o futuro", em particular da Moldávia e da Geórgia, duas outras ex-repúblicas soviéticas com territórios separatistas.

A Aliança Atlântica, cujos líderes se reuniram por videoconferência nesta sexta-feira, reiterou nos últimos dias que não enviará tropas para a Ucrânia.

Já o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, alertou que nenhuma "polegada de território da OTAN" será cedida. O Pentágono enviará mais 7.000 soldados para a Alemanha.

 

Por enquanto, o campo ocidental está concentrado em endurecer as sanções contra a Rússia, restringindo o acesso aos mercados financeiros internacionais para suas principais instituições e seu acesso à tecnologia.

Biden prometeu fazer de Putin "um pária no cenário internacional".

"Os líderes russos enfrentarão um isolamento sem precedentes", disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Os 27 não foram tão longe, porém, a ponto de excluir a Rússia do sistema bancário internacional Swift, como Kiev exige.

Zelensky exortou os europeus a fazerem mais.

"Cancelar vistos para russos? Desconexão do Swift? Isolamento total da Rússia? Expulsão de embaixadores? Embargo ao petróleo? Hoje, tudo deveria estar sobre a mesa", disse ele.

Pouco depois, Paris e Berlim anunciaram um novo conjunto de sanções europeias, visando aos "líderes russos mais importantes", incluindo Putin e Lavrov.

A França também ressaltou que é a favor da exclusão russa do sistema Swift, possivelmente anunciando uma revisão da decisão de quinta-feira.

No âmbito econômico, depois da alta acentuada de ontem, os preços das commodities permaneciam elevados, com o barril de petróleo Brent acima de US$ 100, embora o WTI tenha retornado para cerca de US$ 95.

Rússia e Ucrânia são os principais exportadores de petróleo, gás, trigo e outras matérias-primas.

Nesse contexto, as principais bolsas mundiais se recuperavam, após a queda de quinta-feira, em um mercado ainda volátil.

 

A invasão russa lançou nas estradas milhares de ucranianos, que chegavam às centenas às fronteiras da UE - em particular à Polônia, Hungria e Romênia.

Cerca de 100.000 pessoas já fugiram de suas casas na Ucrânia, e milhares deixaram o país, segundo o Alto Comissariado da Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

A UE disse estar "totalmente preparada" para recebê-los. Uma reunião dos ministros do Interior do bloco está marcada para este fim de semana para discutir o "impacto humanitário e de segurança" da crise e "medidas de retaliação", segundo uma autoridade francesa.

Centenas de refugiados já chegaram à Polônia. Quase 200 pessoas passaram a noite na estação polonesa de Przemysl (sudeste), transformada em abrigo.

Entre eles, está Konstantin, que não sabe quando, ou mesmo se voltará para a Ucrânia: "O problema na Ucrânia é enorme e provavelmente levará meses, talvez anos para resolvê-lo".

A ofensiva russa começou na madrugada de quinta-feira, depois que Vladimir Putin reconheceu, na segunda-feira, a independência dos territórios separatistas ucranianos no Donbas.

Para justificar a invasão, reiterou suas acusações de "genocídio" orquestrado por Kiev nas "repúblicas" separatistas pró-russas desta região, citou um pedido de ajuda dos separatistas e denunciou a política "agressiva" da OTAN.

Mais de 150.000 soldados russos já estavam, no entanto, concentrados há meses nas fronteiras ucranianas.

Estados Unidos e Albânia pediram uma votação no Conselho de Segurança da ONU nesta sexta, às 20h GMT (17h de Brasília) sobre um projeto de resolução condenando a invasão e pedindo à Rússia que retire suas tropas imediatamente.

A resolução está condenada ao fracasso, tendo Moscou direito de veto no Conselho de Segurança.

O presidente chinês, Xi Jinping, com relações estreitas com Putin, conversou com ele por telefone.

A China, que tem poder de veto, "apoia a Rússia na resolução (do conflito) por meio de negociações com a Ucrânia", informou a emissora estatal chinesa CCTV.

burs-cat/gkg/bow/mr/tt

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