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Crise na Líbia se acentua com dois primeiros-ministros rivais

13:11 | Fev. 11, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

A crise da Líbia, um país dividido entre o leste e o oeste, se agravou com o adiamento das eleições que deveriam acontecer em dezembro e a nomeação de um novo presidente na parte oriental do país.

O Parlamento líbio, com sede em Tobruk (leste), nomeou na quinta-feira o influente ex-ministro do Interior Fathi Bashagha para substituir Abdelhamid Dbeibah à frente do governo interino, embora este já tenha advertido que só cederia o poder a um governo eleito pelas urnas.

Uma bagunça institucional que não é nova no país, porque a Líbia já foi dirigida entre 2014 e 2016 por dois primeiros-ministros rivais.

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Mas isso aconteceu durante a guerra civil, antes que o leste e o oeste decidissem celebrar eleições em dezembro e do lançamento de um governo de união que deveria dirigir a tumultuosa transição desencadeada pela morte do ditador Muamar Gadafi, em 2011.

Dbeibah foi designado há um ano, no marco de um processo de paz apadrinhado pela ONU, para que dirigisse um governo de transição destinado a unificar as instituições e a levar o país a eleições presidenciais e legislativas, previstas em 24 de dezembro.

Mas as eleições foram adiadas e o Parlamento radicado no leste considerou que o mandato de Dbeibah expirou com esse adiamento.

A ONU, no entanto, afirmou na quinta-feira que continuará apoiando Dbeibah e nesta sexta pediu estabilidade no país.

O secretário-geral Antonio Guterres pediu que "todas as partes continuem preservando a estabilidade na Líbia como uma prioridade máxima.

Em um comunicado, Guterres lembrou "a todas as instituições do objetivo principal de realizar eleições nacionais o mais rápido possível". Disse ainda que "tomou ciência" da nomeação de um novo primeiro-ministro na parte leste do país.

Mas Bashagha, um peso-pesado da cena política local, conta com o apoio do Parlamento e do marechal Khalifa Haftar, um homem forte do leste apoiado pelo Egito e Emirados Árabes Unidos.

A nomeação de Bashagha "parece ser uma decisão para privar a população do direito ao voto, adiando ainda mais as eleições e exacerbando o risco de instabilidade em Tripoli", declarou à AFP Peter Millett, ex-embaixador britânico na Líbia.

Na região de Tripoli, no oeste, tanto Bashagha como Dbeibah contam com o apoio de grupos armados muito influentes.

"O que é potencialmente perigoso é a violência em Tripoli, já que tanto Bashagha como Dbeibah têm vínculos profundos no oeste da Líbia", afirmou Amanda Kadlec, ex-membro do grupo de especialistas da ONU sobre a Líbia.

Segundo ela, "as milícias ficarão do lado de quem elas acharem que possui o poder. Se não for capaz de dar cargos a elas, pagar seus salários e fornecer armas, não há nenhuma razão para que os grupos armados que apoiam Dbeibah continuem fazendo-o".

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