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Perigosa operação de 'limpeza' no Iraque contra integrantes do EI

07:23 | Jan. 26, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

"Estamos aqui para limpar", afirma um militar na província iraquiana de Diyala, uma área remota do leste do país, onde o exército e a polícia procuram os integrantes do grupo extremista Estado Islâmico (EI) que mataram 11 soldados na semana passada.

A tarefa é imensa. Os extremistas de deslocam de maneira rápida e operam em campo aberto, em uma faixa de território que vai do norte de Bagdá até Kirkuk, 250 quilômetros mais ao norte, entre as províncias de Diyala, Saladino e Kirkuk.

Os alvos são todos os homens uniformizados, mas também os civis que os enfrentam.

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"Os jihadistas se escondem em buracos cavados na terra ou em casas abandonadas, onde também escondem seus explosivos e armas", afirma o oficial do exército, que não quer que seu nome seja publicado.

Em Diyala, às margens do rio Adhaim, o exército iniciou na sexta-feira a operação de busca após o ataque contra um posto avançado das forças iraquianas, executado durante a madrugada e que matou 11 soldados.

O posto avançado fica no meio de pequenas bases similares, colocadas a cada 300 metros ao longo do rio.

Um fosso raso circunda o forte, que também é protegido por arame farpado. Ao redor, os militares empilharam terra para realçar a encosta que serve de escudo.

No meio, a construção de concreto tem marcas de tiros, sinais do ataque recente.

"Esta é a primeira vez que o EI nos ataca diretamente. Até agora não tinham os recursos, eles se limitavam a colocar artefatos explosivos improvisados e aos disparos de franco-atiradores", destaca o oficial. "Aproveitaram o tempo ruim e o horário avançado para atacar", afirma.

O governador de Diyala tem outra explicação. Muthana Al Tamimi aponta "negligência dos soldados, pois a base está fortificada. Há uma câmera térmica, óculos de visão noturna e uma torre de vigilância".

O ataque mostra que o EI está "tentando reorganizar suas tropas e atividades no Iraque", afirma o analista iraquiano Imed Alau.

Quatro anos após a declaração de vitória do governo iraquiano sobre os extremistas, o EI intensifica os ataques, especialmente nesta área rural e isolada do país, que separa a capital Bagdá de Kirkuk.

No momento do atentado em Diyala, mais de 100 membros do EI atacaram a prisão de Ghwayran em Al Hasaka, Síria.

No total, o grupo extremista teria "10.000 combatentes ativos" nos dois países, segundo um relatório publicado pela ONU no ano passado.

A luta contra o EI é ainda mais perigosa porque as forças iraquianas não contam mais com o apoio, sobretudo aéreo, da coalizão internacional antijihadista, liderada pelos Estados Unidos.

Os 3.500 homens desta missão, incluindo 2.500 americanos, encerraram a "missão de combate" no ano passado e se limitam a prestar assessoria e treinar os militares iraquianos.

gde/feb/mab/pc/fp

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