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Glossário do ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021

18:55 | Jan. 05, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

Em 6 de janeiro de 2021, milhares de partidários de Donald Trump invadiram o Capitólio, onde era certificada a vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais nos Estados Unidos. Os democratas denunciaram uma "insurreição" e uma "tentativa de golpe", mas para o magnata republicano foi uma "demonstração desarmada" de "patriotas" contra uma eleição "roubada".

Confira algumas das expressões usadas por cada campo para qualificar o que aconteceu.

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"Parem o roubo" ("Stop the Steal") foi o lema dos apoiadores de Trump na manifestação de 6 de janeiro. Eles denunciaram uma fraude maciça que teria permitido a Biden derrotar o presidente republicano em 3 de novembro de 2020.

Os democratas chamam de "grande mentira" essas fraudes, denunciadas por Trump, mas nunca provadas. Mas essa mentira continua viva. De acordo com as pesquisas, dois terços dos republicanos acreditam que Biden não é o vencedor legítimo das eleições.

Em 6 de janeiro, legisladores se reuniram no Congresso para certificar os resultados da eleição, após dezenas de apelações rejeitadas pelos tribunais e novas contagens de votos em estados-chave que confirmaram a vitória de Biden.

Na Casa Branca, Trump alegou que as eleições foram "fraudadas" e pressionou o então vice-presidente Mike Pence a bloquear o processo no Congresso, o que ele se recusou a fazer, alegando que seu papel era estritamente formal.

O presidente eleito Biden foi rápido em denunciar a "insurreição" no Capitólio, uma expressão mais tarde usada pela grande mídia para descrever os acontecimentos daquele dia.

"Nossa democracia está passando por uma agressão sem precedentes", disse ele, chamando Trump a pedir "o fim deste assédio".

Mais tarde, o republicano foi alvo de um processo de impeachment - o segundo de seu mandato - por "incitamento à insurreição" e "violência contra o governo dos Estados Unidos".

O ex-presidente evitou o impeachment durante uma votação no Senado.

Mais de 700 pessoas foram presas por atos violentos ou por terem entrado ilegalmente em um prédio público, mas nenhuma pelo crime de "insurreição".

No livro "Perigo", Bob Woodward e Robert Costa revelam alguns planos da Casa Branca e dos conselheiros do presidente para manter Trump no poder e criar uma "célula de crise" no luxuoso hotel Willard em Los Angeles, dias antes de 6 de janeiro.

Para o advogado Laurence Tribe e os congressistas democratas, essas manobras fizeram parte de uma tentativa de golpe constitucional.

Uma delas consistia em que Trump pressionasse pessoalmente as autoridades do crucial estado da Geórgia a reverter os resultados eleitorais a seu favor.

O advogado conservador John Eastman redigiu um memorando de seis pontos delineando um plano que teria feito Pence recusar um número suficiente de eleitores de Biden durante a certificação dos resultados para dar a vitória à Trump.

"Este plano parece um golpe de Estado", disse o congressista republicano anti-Trump Adam Kinzinger, que participa do comitê de inquérito parlamentar de 6 de janeiro.

Depois de 6 de janeiro, os apoiadores de Trump defenderam um discurso paralelo sobre o ataque ao Congresso, que deixou cinco mortos e 140 policiais feridos.

Trump afirmou recentemente que foi uma "manifestação sem nenhuma arma" e garantiu que a "insurreição ocorreu no dia 3 de novembro", nas eleições.

Em março, ele disse à Fox News que seus apoiadores "não representavam nenhuma ameaça".

"Eles entraram, não deveriam ter feito isso, e se abraçaram e beijaram os policiais", disse ele, e garantiu que a polícia fazia "gestos de boas-vindas" aos manifestantes.

Outros republicanos tentaram minimizar a violência.

O parlamentar da Geórgia, Andrew Clyde, comparou o ataque a "uma visita turística normal", apesar do fato de que nas fotos daquele dia ele é visto ajudando a polícia a fechar as portas da Câmara dos Representantes.

cl/cyj/erl/lda/ap/mvv

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