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Ativista de Hong Kong é condenada pela 2ª vez por vigília por Tiananmen

09:20 | Jan. 04, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

A ativista pró-democracia Chow Hang-tung acusou a Justiça de Hong Kong, nesta terça-feira (4), de transformar a liberdade de expressão em crime, após ser condenada pela segunda vez por incitar a população a se manifestar para recordar a repressão na Praça da Paz Celestial (Tiananmen).

A advogada de 36 anos, que representou a si mesma nas audiências, liderou a Aliança de Hong Kong. O grupo organizava as vigílias para lembrar as vítimas da repressão chinesa de 4 de junho de 1989 contra os jovens pró-democracia, na Praça de Tiananmen, em Pequim.

A polícia de Hong Kong proibiu as duas últimas vigílias por causa do coronavírus e por questões de segurança, e a Justiça ordenou a prisão de vários ativistas que desafiaram a proibição de 2020, incluindo Chow.

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A advogada foi presa na manhã de 4 de junho do ano passado por dois artigos que publicou, nos quais pediu aos habitantes de Hong Kong que acendessem velas para marcar o aniversário da repressão.

Um tribunal decidiu nesta terça que esses artigos constituem incitamento para desafiar a proibição.

"A mensagem que este veredicto envia é que acender uma vela é um crime, que palavras são um crime", testemunhou Chow no tribunal.

"A única maneira de defender a liberdade de expressão é continuar se expressando", acrescentou. "O verdadeiro crime é acobertar os assassinos com leis e apagar as vítimas em nome do Estado", frisou.

Por muito tempo, Hong Kong foi o único lugar na China, onde a recordação de Tiananmen era tolerada.

Por mais de três décadas, a cada 4 de junho, dezenas de milhares de pessoas se reuniam nessas vigílias, em homenagem às vítimas da repressão. Depois das enormes manifestações pró-democracia em 2019 e no âmbito da crescente influência de Pequim sobre Hong Kong, tais vigílias passaram a ser proibidas.

Nesta terça-feira, Chow leu trechos das memórias de parentes das vítimas de Tiananmen no tribunal.

A juíza Amy Chan advertiu-a, e os policiais que se encontravam na sala foram obrigados a verificar a identidade de todos os que aplaudiram Chow durante sua intervenção.

"A lei não permite que ninguém exerça sua liberdade por meios ilegais, nunca", disse a juíza Chan. "Ela [Chow] estava determinada a chamar a atenção com o objetivo de incentivar as pessoas a se reunirem", acrescentou.

Ao anunciar seu veredicto, a magistrada se referiu à ativista como uma mulher "moralizadora", que não demonstrou remorso e que usava o tribunal para expressar suas opiniões políticas.

Chow já cumpre pena de um ano de prisão, após sua condenação - há alguns meses - por incitar a participação em uma vigília pelas vítimas de Tiananmen em 2020.

Agora, segundo novo cálculo feito pelo tribunal, terá de passar 22 meses na prisão.

Ela também foi acusada de violar a lei de segurança nacional, o que pode custar sua vida na prisão, se for condenada.

Os líderes da Aliança de Hong Kong, como Chow Hang-tung, estão entre dezenas de ativistas processados por violar essa lei.

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