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Nova tensão militar com Ucrânia não gera apoio entre russos

00:03 | Dez. 12, 2021
Autor DW
Tipo Notícia

Arredores da estação Kievskaya de Moscou: para maioria na capital russa, as tensões crescentes na fronteira parecem distantesAumento das tropas russas na fronteira com país vizinho não é só mensagem a Kiev e parceiros da Otan. Demonstração de força de Putin mira também público doméstico. Mas eleitores não parecem querer mais um conflito.A estação de metrô Kievskaya de Moscou é decorada com murais elaborados que mostram como os ucranianos ingressaram na União Soviética. É uma celebração de unidade. Mas hoje Moscou e Kiev parecem mais divididas do que nunca. Recentemente, oficiais de inteligência ocidentais advertiram que a Rússia estacionou cerca de 70 mil soldados perto de sua fronteira com a Ucrânia e que o presidente russo, Vladimir Putin, pode estar planejando uma invasão no início do próximo ano. Do lado de fora da estação Kievskaya – nome que faz referência a Kiev –, os passageiros param para tomar ar fresco ou fumar um cigarro. Para a maioria das pessoas na capital russa, as tensões crescentes na fronteira parecem muito distantes. "Nós, russos, não queremos guerra. Ninguém quer. Os ucranianos são o mesmo povo que nós, um povo eslavo, nossos amigos", diz uma jovem à DW, puxando o xale da cabeça com mais força para se proteger do frio. "Mas tudo é decidido por políticos lá de cima – sem nós." Em 2014, a Rússia anexou a península ucraniana da Crimeia. Moscou também tem apoiado separatistas que lutam no leste da Ucrânia – embora as autoridades russas neguem envolvimento direto. Mais de 14 mil pessoas morreram no conflito. "Durante a União Soviética, todos nós vivíamos muito bem", afirma um homem mais velho com um chapéu de pele, acrescentando que tem raízes bielorrussas e polonesas. "Depois, tudo desmoronou." Uma história complicada A ideia de que ucranianos e russos são "nações irmãs" é comum na Rússia. Isso torna o conflito em curso no leste da Ucrânia emocional para muitos – diferente de outras guerras travadas entre grupos étnicos no espaço pós-soviético, como a recente luta por Nagorno-Karabakh, por exemplo. Hoje, pelo menos 2 milhões de ucranianos vivem na Rússia, e existem centenas de laços familiares entre as duas nações. Muitos russos realmente veem Kiev como o local de nascimento da nação russa, já que a capital ucraniana de hoje era o centro de Kyivan Rus, uma federação medieval de povos eslavos. Em um ensaio publicado em julho, o presidente russo, Vladimir Putin, chegou ao ponto de argumentar que russos e ucranianos são "um só povo" – e que é o Ocidente que está separando as nações. Linhas vermelhas de Moscou Agora, Putin está usando seus militares para expressar uma renovada fixação pela Ucrânia – o recente aumento de tropas é o segundo neste ano. muitos analistas russos argumentam que o conflito armado sobre a Ucrânia se tornou para Putin uma estratégia, não algo que resulta de um sentimento difuso de nostalgia pela unidade do passado. "O Kremlin acredita que o Ocidente ignora completamente os interesses russos quando a Rússia usa a linguagem da diplomacia", opina Dmitri Trenin, chefe do think tank Carnegie Moscow Center. "Parece que agora a Rússia está usando instrumentos militares como um meio para fazer a diplomacia avançar." O atual aumento de tropas na fronteira com a Ucrânia e outro no início deste ano levaram Putin a se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Após uma cúpula bilateral em junho, o presidente russo falou esta semana com seu homólogo americano por meio de videoconferência. Putin insistiu que a adesão da Ucrânia à aliança militar da Otan cruzaria uma "linha vermelha" para a Rússia e está exigindo garantias de que a Otan não se expandirá mais para o leste – inclusive permitindo a adesão à Ucrânia. Tanto Trenin quanto o analista político Konstantin Kalachev argumentam que o presidente russo vê a Otan como uma ameaça real – especialmente com os recentes exercícios militares da Otan e dos EUA no Mar Negro, perto da península anexada da Crimeia, que a Rússia considera seu território. “Putin quer duas coisas: estabilidade e soberania”, diz Kalachev, explicando que vê a Otan como uma ameaça para ambas. Nova Crimeia? Mas os movimentos militares da Rússia perto da Ucrânia também visam um público doméstico, na opinião do analista político e ex-redator de discursos de Putin, Abbas Gallyamov. Afinal, a anexação da península da Crimeia em 2014 levou a um grande aumento na popularidade de Vladimir Putin (88% na época). Gallyamov diz que a situação atual mostra que Putin não quer que seus simpatizantes pensem que ele "não é mais quem costumava ser" ou que mostre fraqueza em relação à Ucrânia. Mas o analista não acredita que uma invasão em grande escala da vizinha Ucrânia seria uma atitude popular entre os russos. "Os russos já sabem que vitórias internacionais não levam apenas a um sentimento de orgulho nacional, mas também são seguidas por repressão em casa e queda dos padrões de vida." A invasão da Crimeia há seis anos isolou a Rússia internacionalmente, levando a sanções dos EUA e da UE e relações tensas com o Ocidente. Estabilidade e soberania Stepan Goncharov, sociólogo do Levada Center, uma agência de pesquisas independente, argumenta que, para a maioria dos russos, os últimos anos já os fizeram sentir como se estivessem vivendo em um "estado de guerra". "Essa sensação de tensão constante começou a pesar nas pessoas. Antes, o tema [da guerra] era algo novo, ele retornava um senti mento de pertencer a um império, parte de uma grande e forte nação", afirma Goncharov em referência ao conflito na Ucrânia e ao envolvimento da Rússia na guerra na Síria. "Agora, as pessoas preferem viver em um país menos ambicioso [internacionalmente] e mais generoso com seus cidadãos, um país mais estável, previsível e economicamente próspero."

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