Participamos do

Derrota histórica da esquerda tira de Fernández controle do Congresso argentino

22:24 | Nov. 15, 2021
Autor Agência Estado
Foto do autor
Agência Estado Autor
Ver perfil do autor
Tipo Notícia

Os argentinos votaram neste domingo, 14, em eleições parlamentares de meio de mandato cruciais para o governo peronista de centro-esquerda de Alberto Fernández, de 62 anos. Com mais de 99% dos votos apurados no final da noite, os resultados indicam a perda da maioria no Senado, o que obriga a vice-presidente Cristina Kirchner, que comanda a Casa, a negociar com a oposição pelos próximos dois anos.

De acordo com o jornal La Nación, as províncias de La Pampa e Chubut eram as duas em que o governo depositavam maior esperança de reverter a derrota nas prévias de setembro, que funcionam como uma eleição simulada, já que o voto é obrigatório. Em ambas as províncias, a oposição confirmou vitória.

O peronismo ainda continua com a maior bancada de senadores, a menos que a oposição passe a votar sem qualquer dissidência. Como maior bancada, Cristina ainda terá o poder de dividir a presidência de comissões legislativas.

Seja assinante O POVO+

Tenha acesso a todos os conteúdos exclusivos, colunistas, acessos ilimitados e descontos em lojas, farmácias e muito mais.

Assine

A disputa mais arriscada para o governo estava justamente no Senado, onde foram renovadas 24 das 72 cadeiras. O governo de Fernández colocou em jogo seus 41 senadores, contra 25 da coalizão de centro-direita Juntos por el Cambio do ex-presidente Mauricio Macri (2015-19), a principal da oposição. Um prenúncio dos maus resultados foi a decisão de Cristina de não ir à sede da campanha peronista após a votação.

O porcentual de comparecimento foi de 72%, superior ao das primárias, mas menor do que a média histórica da votação parlamentar. Depois do revés sofrido nas prévias, os olhos ontem estavam voltados para a populosa periferia de Buenos Aires, com quase 40% da lista eleitoral e bastião histórico do partido governista peronista. Com a vitória nos distritos suburbanos, o governo acirrou a disputa, mas não foi o suficiente para vencer na província: os opositores conseguiram 39,81% dos votos, enquanto os governistas ficaram com 38,53%. A capital e outras grandes cidades acompanharam a oposição.

A votação renova também 127 das 257 cadeiras da Câmara dos Deputados, na qual a governante Frente de Todos tem a maior bancada, mas não a maioria. Os resultados indicaram uma disputa apertada para que o governo mantivesse essa vantagem: 118 contra 116 deputados da coalizão Juntos.

O ex-presidente e líder da oposição, Mauricio Macri, afirmou que a Argentina enfrenta o "fim de uma era". "Não podemos perder esta nova oportunidade repetindo os mesmos erros do passado. O que precisamos é de um conjunto de líderes maduros e responsáveis que entendam a complexidade do que significa construir a sociedade que queremos."

No Twitter, o presidente Fernández agradeceu a participação da população nas eleições. "Vamos honrar quem que deu vida à nossa frente eleitoral. Vamos governar para todos. Tenho certeza de que vamos conseguir", escreveu.

Economia

Nas últimas semanas, o governo anunciou medidas econômicas e controle de preços, em uma tentativa de combater a inflação, que acumula 41,8% entre janeiro e outubro, uma das mais elevadas do mundo.

Fernández também endureceu o discurso a respeito do Fundo Monetário Internacional (FMI), com o qual a Argentina tenta obter um acordo para substituir o crédito stand-by de 2018 de US$ 44 bilhões (R$ 232 bilhões). "Estamos tendo que resolver a dívida que nos deixaram com o FMI, claro que temos de resolver. Mas não vou resolver em cinco minutos porque quem resolve esse problema em cinco minutos é porque concordou com o fundo em tudo o que pede", afirmou Fernández depois de votar, acompanhado pela primeira-dama Fabiola Yáñez, que está grávida de quatro meses. Uma festa de aniversário dela durante a pandemia e a uma forte imposição estatal de isolamento atingiram a popularidade do marido.

Se não conseguir o novo acordo, a Argentina - que tem 40% de sua população na pobreza - terá que pagar US$ 19 bilhões (cerca de R$ 100 bilhões) ao FMI em 2022 e o mesmo valor em 2023. As eleições ocorrem no momento em que o país tenta emergir da recessão iniciada em 2018 e aprofundada com uma queda de 9,9% do PIB em 2020 em razão da pandemia de covid-19. (Com agências internacionais).

Dúvidas, Críticas e Sugestões? Fale com a gente