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Após abertura de investigação, Johnson nega irregularidade em obra de residência

15:23 | 28/04/2021

Acusado por seu polêmico ex-conselheiro Dominic Cummings de financiar a reforma de seu apartamento oficial em Downing Street com doações privadas, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, negou nesta quarta-feira, 28, diante da Câmara dos Comuns, que tenha cometido qualquer delito.

"Fui eu quem cobriu as despesas e posso dizer que cumpri totalmente o código de conduta ministerial", disse Johnson, durante a sessão de perguntas semanais no Parlamento.

A declaração foi uma resposta à investigação sobre a obra aberta hoje pela Comissão Eleitoral da Grã-Bretanha que, minutos antes da sessão, anunciou a apuração sobre como foi paga a reforma.

O caso deve tumultuar as eleições regionais e municipais no Reino Unido, marcadas para ocorrer em 6 de maio.

O pleito será o primeiro teste eleitoral para os conservadores de Johnson desde a entrada em vigor do Brexit, no início do ano, e do terremoto causado pela pandemia de covid-19.

Não bastasse isso, nas últimas semanas o governo foi abalado por uma série de lobbies e escândalos de influência corporativa na sequência de uma série de vazamentos.

Altamente polêmico, Cummings, que foi estrategista político da campanha pró-Brexit e conselheiro mais influente de Johnson até sua repentina renúncia em novembro, foi apontado por alguns veículos como a fonte dos vazamentos.

Na sexta-feira, ele se defendeu lançando um ataque devastador em seu blog contra Johnson: entre outras coisas, Cummings alegou que o primeiro-ministro reformou seu apartamento oficial em Downing Street com dinheiro de doadores do Partido Conservador, o que o governo negou categoricamente.

Um porta-voz do executivo disse, na terça-feira, 27, que, além do orçamento do governo destinado à manutenção, as obras - de até 200.000 libras ou US$ 277.000, segundo a imprensa - foram pagas por Johnson.

Mas ele não especificou se o premiê recebeu um empréstimo ou se os fundos do partido foram usados ??inicialmente, referindo-se às notícias sobre uma contribuição de 58.000 libras (80.000 dólares) de um doador rico que não teria sido comunicada à comissão eleitoral britânica como requerido pela lei.

Após avaliar as informações fornecidas pelo Partido Conservador, a comissão eleitoral anunciou a abertura de uma investigação.

"Há motivos razoáveis ??para suspeitar que uma ou mais infrações possam ter sido cometidas. Portanto, prosseguiremos com uma investigação formal para determinar se este é o caso", disse um membro da comissão.

A investigação sobre a reforma determinará se alguma transação relativa às obras enquadram-se no regime regulado pela comissão e se esse financiamento foi relatado conforme necessário.

Se descobrir que ocorreu alguma irregularidade, e que há provas suficientes, então a comissão pode emitir uma multa ou encaminhar o assunto à polícia

Revelações comprometedoras

Além das suspeitas sobre a reforma da residência, Johnson também foi alvo de outras revelações comprometedoras, como a de ter proferido uma frase chocante para se opor a um novo bloqueio contra a disseminação da covid-19, em outubro.

O jornal Daily Mail afirmou na segunda-feira que durante uma reunião o primeiro-ministro disse: "Chega de fechamentos de merda, vamos deixar os corpos amontoados aos milhares."

Sem citá-lo como a fonte dessa divulgação, o jornal também afirmou que Cummings mantinha gravações de áudio e registros escritos de reuniões importantes.

Downing Street e o próprio Johnson negaram a declaração, mas vários meios de comunicação as repetiram e alegaram ter a confirmação por fontes anônimas.

Questionado no parlamento se ele havia usado tais palavras, Johnson negou repetidamente.

"Não", disse o premiê. "Eu não disse essas palavras", completou.

O líder conservador britânico tem sofrido severas críticas desde o início da pandemia, há mais de um ano, primeiro, por demorar para agir e, depois, de desperdiçar o dinheiro dos contribuintes fornecendo equipamentos de proteção sem licitação.

E, mais recentemente, de ter contatos diretos com importantes empresários, como James Dyson, a quem teria prometido arranjos fiscais em troca da fabricação de respiradores para hospitais no Reino Unido, um dos países mais afetados da Europa, com mais de 127.000 mortes pela covid-19. (Com agências internacionais)