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Muçulmanos iniciam mês de jejum à sombra do coronavírus

Da Indonésia ao Egito, milhões de muçulmanos iniciam o jejum sagrado do Ramadã, um dos cinco pilares do Islã. A pandemia impõe, no entanto, restrições, que variam de país a país.

09:54 | 13/04/2021
Os muçulmanos leem o Alcorão depois de orar durante o mês sagrado do Ramadã na mesquita Al Makmur em Banda Aceh em 13 de abril de 2021 (Foto: CHAIDEER MAHYUDDIN / AFP)
Os muçulmanos leem o Alcorão depois de orar durante o mês sagrado do Ramadã na mesquita Al Makmur em Banda Aceh em 13 de abril de 2021 (Foto: CHAIDEER MAHYUDDIN / AFP)

Centenas de milhões de muçulmanos em todo o mundo iniciam, nesta terça-feira (13), o Ramadã, o tradicional mês do jejum, à sombra do coronavírus, que forçou a suspensão ou redução das celebrações pelo temor do contágio.

 

A Europa, continente mais afetado pela pandemia, superou um milhão de mortes desde o início da crise de saúde, enquanto o sul da Ásia registra recordes de contaminações, em especial a Índia, país de mais de 1,3 bilhão de habitantes.

 

A vacinação se tornou a única esperança para populações cansadas de restrições. A Índia autorizou nesta terça o uso da vacina russa Sputnik V, um dia depois de o país registrar 161.000 contágios adicionais, superando pelo sétimo dia consecutivo a marca de 100.000 novos casos diário.

 

O número de mortes provocadas pela Covid-19 em todo o mundo se aproxima de três milhões, segundo o balanço da AFP com base em fontes oficiais.

 

Neste contexto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu que a pandemia de Covid-19 entrou em uma fase "crítica" com as infecções se acelerando, apesar das restrições e das campanhas de vacinação.

 

Da Indonésia ao Egito, milhões de muçulmanos iniciam o jejum sagrado do Ramadã, um dos cinco pilares do Islã. A pandemia impõe, no entanto, restrições, que variam de país a país.

 

Em Jacarta, a mesquita de Istiqlal - a maior do sudeste asiático - recebeu os fiéis pela primeira vez na segunda-feira à noite após mais de um ano de fechamento devido ao coronavírus.

 

Mohamad Fathi, morador da capital indonésia, afirmou à AFP que este ano o Ramadã é mais feliz que o de 2020, quando os fiéis não foram autorizados a participar nas orações da tarde do 'tarawih'.

 

"O ano passado foi muito triste, não fomos autorizados a frequentar a mesquita para a oração do tarawih", explicou.

 

"Mas este ano estou muito feliz porque podemos orar na mesquita, embora sob estritas medidas de controle sanitário", exclamou.

 

O governo da Indonésia - a maior nação de maioria muçulmana - determinou limites para as mesquitas, que podem receber apenas 50% de sua capacidade total. Além disso, os fiéis devem usar máscara e carregar os próprios tapetes de oração.

 

Muitas regiões indonésias proibiram as reuniões habituais ao final do jejum, e os líderes religiosos estimulam as pessoas a orar em suas casas nas regiões com altos níveis de contaminação.

 

 

A Arábia Saudita, um dos países com o maior número de locais sagrados do islã, anunciou que apenas pessoas imunizadas contra a Covid-19 poderão participar na umrah, a pequena peregrinação à Meca, a partir do início do Ramadã.

 

No Egito, as restrições são muito menos rígidas que no ano passado e as pessoas celebraram nas ruas o início do mês de jejum.

 

No Paquistão, onde o jejum começa apenas na quarta-feira, a terceira onda do coronavírus é mais letal. O governo pediu às mesquitas que recebam os fiéis em áreas abertas e observem de maneira estrita o distanciamento social.

 

Na Europa, o governo da chanceler alemã Angela Merkel aprovou nesta terça-feira um endurecimento da lei de proteção contra as infecções, que permite, a partir de agora, impor restrições unificadas em todo o território para combater melhor a pandemia de Covid-19.

 

Além disso, várias organizações internacionais, incluindo a OMS, pediram nesta terça a suspensão no mundo inteiro da venda de mamíferos selvagens vivos em feiras e mercados de alimentos, devido aos riscos de transmissão ao ser humano de novas doenças infecciosas.

 

A transmissão ao ser humano do vírus da Covid-19 por esta via é uma das hipóteses preponderantes dos especialistas que trabalham para a OMS.

 

Em seu recente relatório sobre as origens da doença, os especialistas destacaram que um mercado de Wuhan - a metrópole chinesa em que foram registrados os primeiros casos - parece ter sido um dos pontos mais importantes de propagação da pandemia no fim de 2019.