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Trump declara vitória e diz que vai à Suprema Corte parar apuração

07:31 | 04/11/2020

No meio da apuração, ainda sem a totalização dos votos, o presidente americano, Donald Trump, disse que venceu as eleições e irá à Suprema Corte para interromper a contagem de votos. "Isso é uma fraude. É uma vergonha para o nosso país. Francamente, nós ganhamos esta eleição", disse. "Nós vamos à Suprema Corte."

O momento de revolta ocorreu logo após o discurso do adversário, o democrata Joe Biden, que demonstrou otimismo na vitória. Trump, que contrariou a maioria das pesquisas e venceu em vários Estados, alguns de maneira surpreendente, disse que a apuração deveria ser encerrada. "Queremos o fim da apuração. Não queremos gente encontrando cédulas às 4h30 da manhã e adicionando à votação."

Até então, o presidente vinha mantendo um perfil discreto durante a apuração. À tarde, ele fez uma visita ao quartel-general de sua campanha no Estado de Virgínia, perto da capital americana. Diante de aliados e voluntários, ele demonstrou otimismo. "Estamos indo bem na Flórida, no Arizona, no Texas e em várias partes do país", afirmou o republicano.

Mesmo antes de o presidente obter uma votação expressiva na Flórida, ele já demonstrava otimismo. Apesar do cansaço aparente - Trump realizou uma maratona de comícios na reta final de campanha -, ele falou com sobriedade sobre o risco de perder a disputa.

"Vencer é fácil, perder nunca é fácil. Não para mim. Não é", disse o presidente, ao afirmar que não tinha discursos prontos nem para vitória, nem para derrota. Enquanto alguns viram a declaração como uma aceitação da derrota, pessoas próximas ao presidente disseram que não passava de superstição - em 2016, ele também não havia preparado discursos.

Enquanto isso, em Miami, o casal de brasileiros Ellen e Leonardo Jannuzzi, que vive na cidade, era um reflexo do bom desempenho de Trump. Os dois votaram no presidente em razão do que ele fez pela economia e por temerem que Biden aumente impostos.

"Biden disse que vai aumentar os impostos daqueles que ganham mais de US$ 400 mil por ano. Os nossos patrões ganham isso e, se ele aumentar o imposto deles, isso vai impactar diretamente no nosso trabalho e na economia em geral", justificou Ellen.

Durante toda a campanha, Trump questionou a confiabilidade de pesquisas que mostraram vantagem para o adversário democrata, Joe Biden, e sugeriu que só uma fraude nas eleições o faria perder. "Eu sou o seu presidente favorito", repetiu Trump diversas vezes a eleitores nos comícios realizados em outubro.

A forma de falar sobre uma eventual vitória era sempre em tom de chacota e com intuito de convencer sua base a votar. Um exemplo foi quando ele disse que talvez precise ir embora dos Estados Unidos caso não vença a disputa.

Durante o dia, no entanto, Trump desacelerou. Publicou menos na sua conta no Twitter do que de costume e, depois de dias de uma agenda frenética, com comícios em sequência nos principais Estados-chave, ele foi apenas à Virgínia.

O presidente voltou em seguida para a Casa Branca. Desde junho, Trump lida com a existência de um memorial a céu aberto com cartazes antirracismo e de apoio aos candidatos democratas bem em frente à residência oficial. Na madrugada de segunda para terça-feira, uma grade de metal subiu nos arredores da Casa Branca - segundo autoridades, apenas por "precaução".

Normalmente, o presidente afirma que a lotação nos seus comícios são uma prova de que ele conquistaria a maioria dos votos. Ontem, ele se limitou a dizer que vê "muito amor" e "muita união" nos comícios que têm feito.

Em entrevistas, antes mesmo de lançar sua candidatura à Casa Branca, Trump flertou com a ideia de disputar o cargo e deixou claro que só entraria numa corrida eleitoral se fosse para vencer. Ele cultiva a imagem do homem forte e imbatível, que tentou manter publicamente, mesmo quando teve covid-19 diagnosticada no curso da campanha.

Bem antes de largar na frente em Estados-chave do Cinturão o Sol, como Flórida, ele já havia publicado mensagem bastante otimista no Twitter. "Nós estamos indo muito bem em todo o país, obrigado", logo após os resultados em Estados tipicamente republicanos, como Indiana, mostrarem boa votação para o presidente.

Trump tinha planos de organizar um encontro de aliados em seu hotel na capital americana, para celebrar a vitória na eleição. No entanto, ele acabou cancelando a festa em razão das restrições com relação a aglomerações em espaços fechados em Washington.

'Salas de guerra'

De acordo com os relatos da imprensa americana, a campanha de Trump montou "salas de guerra" na Casa Branca para acompanhar os resultados durante a madrugada, um gesto incomum entre presidentes que disputam a reeleição.

Adversários acusaram a campanha de Trump de fazer uso eleitoral da máquina administrativa do governo. Tim Murtaugh, porta-voz da campanha republicana, no entanto, garantiu que todo o custo foi bancado pela campanha do presidente e afirmou que nenhum funcionário do governo americano estava envolvido no processo.

Repercussão negativa

Benjamin L. Ginsberg, advogado eleitoral republicano de longa data que copresidiu a Comissão Presidencial de Administração Eleitoral, disse na quarta-feira que o presidente Trump deveria "deixar todos os votos serem contados", após seus ataques aos esforços legítimos de contagem de votos.

"Se você tem objeções às cédulas específicas ou ao processo, então você tem como recorrer", disse Ginsberg a Jake Tapper da CNN durante a cobertura eleitoral especial da emissora. "Mas essas cédulas foram legalmente depositadas, ou pelo menos serão determinadas como votos legalmente lançados pelas autoridades locais e estaduais apropriadas. E para um presidente dizer que vamos privar os votos dessas cédulas legalmente lançadas - é realmente extraordinário."

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