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Em meio à pandemia de Covid-19, novo surto de Ebola volta a preocupar

Desde a catalogação do vírus em 1976, o país mais afetado pela doença é a República Democrática do Congo, onde já tiveram nove surtos, segundo a OMS

14:01 | 02/06/2020
Enfermeira conforta paciente com Ebola.  (Foto: OMS/Chris Black)
Enfermeira conforta paciente com Ebola. (Foto: OMS/Chris Black)

Um vírus que provavelmente tem os morcegos como provável hospedeiros. Uma doença que matou milhares de pessoas, sem medicamentos específicos para o tratamento e com uma vacina ainda incerta. Antes de serem associadas ao novo coronavírus, o mundo já tinha experimentado essas características em outra patologia: o Ebola. Com a confirmação nesta segunda-feira, 1º, de um novo surto no Congo, a doença, que já era uma preocupação das organizações mundiais de saúde, volta para o radar e agrava as condições sanitárias em países da África Subsariana.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o agente da doença é um vírus da família Filoviridae, do gênero Ebolavirus, descoberto em 1976, após surtos no Sudão e no território do Zaire, hoje a República Democrática do Congo. São cinco subespécies de vírus Ebola, das quais quatro afetam humanos, com maior letalidade, o Zaire Ebolavirus.

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A doença viral apresenta sinais iniciais que podem incluir febre, fraqueza muscular e dor de garganta. A medida que vai evoluindo, os sintomas apresentados são mais graves como diarreia, vômitos e sangramento interno e externo, com interrupção do funcionamento dos órgãos.

Uma das maiores preocupações é porque a taxa de letalidade gira em torno dos 50%, mas, dependendo do surto, pode chegar causar a morte de 90% dos infectados. As ocorrências de casos acontece, em sua maioria, em vilarejos remotos nas regiões da África Central e Subsariana. Entre 2014 a 2016, o continente passou pelo mais complexo e profundo surto da doença. Em 2014, Libéria, Serra Leoa e Guiné, na África Ocidental, concentravam o maior número de casos. Entretanto, no período, Espanha e Estados Unidos também já tiveram confirmações.

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Segundo a contagem dos Médicos Sem Fronteiras(MSF), que atuaram na região, foram 28.700 infectados e 11.300 óbitos. Mesmo após a cura, alguns recuperados tiveram sequelas como problemas oftalmológicos, neurológicos e nas articulações.

Desde então, a República Democrática do Congo vem passando por surtos menores. Ao todo, o país passou por nove desses desde a descoberta do vírus em 1976. Em maio de 2017, foi preciso enviar novamente agentes técnicos da OMS para conter o surto de Ebola na região de Likati. Um ano depois, em maio de 2018, novos casos da doença foram identificados em uma área remota do noroeste do país. Neste ano, tanto áreas rurais como urbanas tiveram registros. A MSF reconhece que o fim de um surto de Ebola só pode ser declarado oficialmente após 42 dias sem nenhum novo caso confirmado.

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A transmissão pode acontecer tanto de humanos como de animais. O vírus é contraído por meio do contato com sangue, secreções ou outros fluídos corporais, como fezes, urina, saliva, leite materno e sêmen de infectados, além do contato com superfícies e objetos contaminados. Em algumas áreas, a infecção se deve ao contato com chimpanzés, gorilas, morcegos frutívoros, macacos, antílopes selvagens e porcos-espinhos contaminados encontrados mortos ou doentes na floresta tropical. Enterros também podem transmitir o vírus, isso porque mesmo após a morte, o corpo pode contaminar outras pessoas.

Segundo o Ministério da Saúde (MS), o risco de pessoas no Brasil contraírem a doença é baixo, mas as chances aumentam quando houve visita às áreas em que há o surto de Ebola, realização de pesquisas em animais, principalmente primatas originários da África ou Filipinas. De quem teve contato com pessoas infectadas, seja para prestação de assistência médica como para preparação de enterro.