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Há 30 anos, libertação de Mandela representou 'a morte' do apartheid

Mandela passou 27 anos preso, especialmente na ilha-prisão de Robben Island, após ter sido condenado em 1964 à prisão perpétua por sabotagem e complô contra o Estado.

16:33 | 11/02/2020
foto de arquivo tirada em 11 de fevereiro de 1990. Sowetan mantém em Soweto um jornal anunciando a libertação do líder anti-apartheid, Nelson Mandela.
foto de arquivo tirada em 11 de fevereiro de 1990. Sowetan mantém em Soweto um jornal anunciando a libertação do líder anti-apartheid, Nelson Mandela. (Foto: TREVOR SAMSON / AFP)

O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, celebrou nesta terça-feira (11) os 30 anos da libertação de Nelson Mandela, com um discurso no local onde o líder anti-apartheid deu sua primeira declaração, enquanto o atual mandatário segurava o microfone.

Em 11 de fevereiro de 1990, um jovem Cyril Ramaphosa impressionado segurava o microfone de Nelson Mandela, que acabara de ser libertado após 27 anos atrás das grades.

Trinta anos depois e no mesmo local, o agora presidente lembrou este momento que representou a "morte" do apartheid.

"No dia em que Mandela foi libertado, sabíamos que o apartheid tinha morrido", disse Cyril Ramaphosa diante de umas mil pessoas, entre as quais estudantes, reunidos em frente à prefeitura de El Cabo (sudoeste), a capital legislativa.

"Havia magia no ar", lembrou do balcão da prefeitura, no mesmo local onde Nelson Mandela, herói da luta contra o apartheid, discursou 30 anos antes, diante de uma praça lotada.

Em 11 de fevereiro de 1990, o jovem Ramaphosa, então com 37 anos e barba cerrada, estava ao lado do ex-presidiário mais conhecido do mundo.

Horas antes Mandela tinha recuperado a liberdade. Saiu da prisão de Victor Verster em Paarl (sudoeste), acompanhado da esposa, Winnie Mandela, outra grande personalidade da luta contra o regime racista.

Mandela passou 27 anos preso, especialmente na ilha-prisão de Robben Island, após ter sido condenado em 1964 à prisão perpétua por sabotagem e complô contra o Estado.

Sua libertação aconteceu dias depois da suspensão da proibição de seu partido, o Congresso Nacional Africano (ANC), pelo presidente branco da época, F.W. de Klerk.

"Gente de todo o mundo tinha os olhos cheios de lágrimas e eram lágrimas de felicidade" depois de décadas de um regime racista, dominado pela minoria branca, disse Ramaphosa.

"Lembraremos desse dia como um dos mais memoráveis da História mundial", acrescentou.

 

Três anos depois, Nelson Mandela ganhou o prêmio Nobel da Paz com F. W. de Klerk e em 1994 se tornou o primeiro presidente negro da África do Sul democrática. Morreu em 2013, aos 95 anos.

"Não se entende o que nossos pais tiveram que sofrer por nossa liberdade", disse nesta terça um estudante, Panashe Sizingwe.

"Mas estamos longe do objetivo estabelecido pelo pai da nação", disse outro sul-africano, Lebona Motlatla. "Por liberdade para todos, Mandela entendia que todo mundo tivesse trabalho e comida", acrescentou.

Com o fim do apartheid, a África do Sul, durante muito tempo pária do mundo, se reintegrou ao concerto das nações e retornou com os benefícios da integração à economia mundial.

O desemprego segue afetando a primeira potência industrial do continente africano e penaliza na atualidade 29,1% de sua população economicamente ativa contra 20% em 1994.

O país de debate, ainda, diante das enormes desigualdades entre ricos e pobres, corrupção e elevada taxa de criminalidade.