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Filipinas entra em estado de alerta por vulcão Taal

Localizado no meio de um lago em uma área muito turística, o vulcão é um dos mais ativos do arquipélago

18:26 | 13/01/2020
Jovem em canoa com o vulcão Taal ao fundo, em 13 de janeiro
Jovem em canoa com o vulcão Taal ao fundo, em 13 de janeiro (Foto: AFP)

O vulcão Taal cospe lava e uma gigantesca coluna de cinzas e fumaça nesta segunda-feira (13) ao sul da capital das Filipinas, onde centenas de voos internacionais foram cancelados por temor de uma erupção "explosiva" iminente.

Uma fina camada de poeira branca cobria casas e ruas ao redor do vulcão, localizado a 65 quilômetros de Manila. No domingo, a capital acordou com os tremores de terra que antecederam a atividade vulcânica. Pelo menos 10.000 pessoas se refugiaram em abrigos.

"Não conseguimos dormir, porque a casa tremia", contou Lia Monteverde à AFP. "Nenhum de nós dormiu. Preparamos-nos para sair", completou.

Localizado no meio de um lago em uma área muito turística, o vulcão é um dos mais ativos do arquipélago - uma área de intensa atividade sísmica, devido à sua posição no Anel de Fogo do Pacífico.

As escolas da região, escritórios do governo e a Bolsa de Valores das Filipinas não abriram nesta segunda-feira por precaução.

Máscaras antipoluição se esgotaram rapidamente depois que as autoridades alertaram que as cinzas podem causar problemas respiratórios, especialmente em crianças e pessoas com doenças pulmonares.

Parte dos voos será retomada a partir da tarde no principal aeroporto internacional de Manila, quase 24 horas após seu fechamento completo pelo perigo das cinzas no ar para as aeronaves.

Ainda há atrasos no aeroporto internacional de Ninoy Aquino, onde cerca de 240 voos foram cancelados. Milhares de passageiros ficaram prejudicados.

"Estou frustrado, porque esse adiamento implica despesas extras, e a espera é cansativa", declarou Joan Diocaras, um filipino de 28 anos que trabalha em Taiwan. "Mas nada pode ser feito", resignou-se.

- "Fontes" de lava -
A erupção começou no domingo com uma explosão de vapor d'água e de rochas e com o aparecimento de uma coluna de fumaça de 15 quilômetros de altura.

Nesta segunda-feira de manhã, "fontes" de lava podiam ser vistas, de acordo com o Instituto Filipino de Vulcanologia e Sismologia (Phivolcs).

As autoridades elevaram o alerta para o segundo nível mais alto, por causa do perigo de uma erupção "explosiva" que pode ocorrer nas próximas horas, ou dias.

O chefe do Phivolcs, Renato Solidum, disse à AFP que a lava é um sinal de atividade no vulcão, mas explicou que não se sabe se continuará.

Os sismólogos dos serviços governamentais detectaram magma subindo em direção à cratera, enquanto tremores eram sentidos perto do vulcão.

Seu cume é iluminado por raios. Essas luzes geralmente ocorrem acima do vulcão, em um fenômeno pouco conhecido atribuído à eletricidade estática.

Segundo Phivolcs, detritos de até seis centrímetros de diâmetro, ou mais, caíram nas áreas próximas à cratera.

O organismo registrou mais de 50 abalos sísmicos. A última erupção do Taal foi em 1977, segundo Solidum.

O chamado Anel de Fogo do Pacífico designa áreas onde as placas tectônicas colidem, provocando terremotos e atividade vulcânica.

Em janeiro de 2018, dezenas de milhares de pessoas tiveram de ser evacuadas pela erupção do Monte Mayon, na região central de Bicol.

A pior erupção das últimas décadas foi a de 1991 no Monte Pinatubo, cerca de 100 quilômetros a noroeste de Manila, que causou mais de 800 mortes. O vulcão cuspiu uma nuvem de cinzas que percorreu milhares de quilômetros em poucos dias.AFP