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Em meio a impasse com EUA, Kim se volta para a Rússia

00:03 | 25/04/2019
Após fracasso de cúpula com Trump, líder norte-coreano terá seu primeiro encontro com Putin. Rússia não quer mais um conflito em suas fronteiras, mas também busca se firmar como negociadora em questões mundiais.O trem blindado do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, viajou 684 quilômetros de Pyongyang até Vladivostok, no extremo oriente da Rússia. De lá, o líder norte-coreano seguirá de limusine até a ilha Russky, onde se encontrará com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, nesta quinta-feira (25/04). Este será o primeiro encontro entre os dois, e não por falta de interesse do presidente russo. Desde que Kim começou sua investida diplomática, em 2018, a Rússia já o convidou várias vezes para uma visita. O Kremlin divulgou que, além das relações bilaterais, o foco principal da cúpula será a desnuclearização da Península Coreana. Mas o especialista russo Konstantin Aslomov, do Centro de Estudos Coreanos da Academia de Ciências da Rússia, diz que o mais importante para o seu país não é a desnuclearização, mas a estabilidade na Península Coreana. "Não precisamos de mais um conflito nas nossas fronteiras", explica. Por isso, é importante ajudar a manter o diálogo. O encontro entre Kim e Putin ocorre num momento em que as negociações entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos estão travadas. A segunda cúpula entre o presidente Donald Trump e Kim, em fevereiro, em Hanói, foi encerrada de forma abrupta e com a delegação americana afirmando que a Coreia do Norte exigira o fim de todas as sanções econômicas, algo que os norte-coreanos negaram. Depois disso, o governo em Pyongyang anunciou, no início deste mês, que testou uma nova "arma tática guiada", dando a impressão de que quer exibir força. Um porta-voz do Ministério do Exterior do regime também exigiu que o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, seja excluído das conversações e pediu "alguém que mostre maior tato e maturidade na hora de se comunicar". Aslomov avalia que Kim está apenas "diversificando sua política externa" com o seu encontro com Putin, e que o evento não pode ser visto como uma tentativa do Kremlin de mostrar que pode ser um negociador mais eficiente do que os Estados Unidos. Mas outros analistas veem o encontro como um movimento de poder. "Basicamente, trata-se de uma atração secundária na saga entre Pyongyang e Washington", avalia Dmitry Trenin, chefe do Carnegie Research Center em Moscou. Trenin diz que a cúpula com Putin permite à Coreia do Norte mostrar que tem outras opções na política externa. Já para a Rússia, trata-se de "somar pontos diplomáticos com uma demonstração de relevância". De qualquer forma, a Rússia está mantendo todas as partes envolvidas informadas sobre o processo. Ao que tudo indica, o encontro entre Kim e Putin foi debatido por diplomatas russos com representantes de Washington na semana passada. A Rússia também parece estar mantendo a China informada. Logo depois do encontro com Kim, Putin viajará para Pequim para participar de um fórum sobre a iniciativa "Nova Rota da Seda", a menina dos olhos do presidente chinês, Xi Jinping. Oficialmente, Putin e Xi não falarão sobre a Coreia do Norte, mas é pouco provável que isso não aconteça. Em 2017, a China e a Rússia criaram um mapa para encerrar a crise da Coreia do Norte. Antes do encontro com Kim, o Kremlin enfatizou a importância do plano e afirmou que, por enquanto, tudo corre como o planejado: a primeira fase do plano, na qual a Coreia do Norte encerra seus testes de mísseis e os Estados Unidos encerram seus exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul, já teria sido executada. Agora começa a segunda parte, afirmou o Kremlin, na qual estão previstas negociações mais complexas. Moscou disse que pretende apoiá-las. A Rússia poderá se tornar uma intermediária importante para a Coreia do Norte nas negociações envolvendo o arsenal nuclear do regime. Os dois países têm uma longa história de colaboração. A União Soviética foi a primeira aliada da Coreia do Norte e a principal apoiadora do avô de Kim, Kim Il-sung, o primeiro líder norte-coreano. Os interesses econômicos de Kim certamente ajudarão na aproximação entre os dois países. Em 2018, o comércio entre eles caiu muito devido às sanções do Conselho de Segurança à Coreia do Norte. A Rússia também teve de reduzir o número de trabalhadores norte-coreanos em seu território de cerca de 30 mil para 10 mil. Os valores que eles enviavam para casa eram uma fonte vital de acesso a moeda estrangeira para a Coreia do Norte. Agora, segundo Aslomov, Kim está em busca de oportunidades econômicas para impulsionar a economia estagnada de seu país. O especialista avalia que Putin e Kim provavelmente debaterão o que pode ser feito na cooperação econômica em setores que ainda não estão sob efeito de sanções. Há ainda um outro aspecto que pode dar à Rússia um papel importante nas negociações sobre a desnuclearização da Península Coreana. A Rússia sempre se opôs à política ocidental de convencimento e pressão econômica sobre a Coreia do Norte – Putin, afinal, sabe bem o que é ser alvo de sanções econômicas. ______________ A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube | WhatsApp | App | Instagram | Newsletter Autor: Emily Sherwin (as)

Fonte: DW | dw-world.de

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