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Mortes civis no Afeganistão são as mais numerosas em 9 anos

00:02 | 25/02/2019
Relatório 2018 de missão da ONU revela números preocupantes sobre conflito que dura 18 anos. Aumento de vítimas infantis é especialmente chocante. Guerra do Afeganistão já fez 92 mil mortos e feridos em uma década.A guerra no Afeganistão causou em 2018 11% mais mortes civis do que no ano anterior. Trata-se de um recorde desde 2009, quando as Nações Unidas começaram a contabilizar as vítimas civis no conflito afegão. A Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (Unama) divulgou neste domingo (24/02) seu relatório 2018 sobre as vítimas civis da guerra. Segundo o documento, 3.804 civis morreram e 7.189 ficaram feridos, contra 3.438 civis mortos e 7.015 feridos de 2017. "O nível de prejuízo e sofrimento causado aos civis no Afeganistão é muito preocupante e totalmente inaceitável", afirmou o chefe da Unama, Tadamichi Yamamoto, no relatório divulgado somente pela internet, ao contrário de outros anos. Nesta segunda-feira, representantes americanos e dos talibãs se reúnem em Catar para discutir sobre a guerra que já causou a morte de 32 mil civis e deixou outros 60 mil feridos na última década. As principais causas do aumento de vítimas civis teriam sido o acréscimo dos ataques suicidas por insurgente, assim como dos bombardeios aéreos das forças afegãs e das internacionais enviadas para o Afeganistão. A Unama atribuiu 63% do total das quase 11 mil vítimas civis aos insurgentes: 37% aos talibãs, 20% à milícia jihadista "Estado Islâmico" (EI), e os demais 6% a ações de grupos antigovernamentais não identificados. Por outro lado, forças pró-governo seriam responsáveis por 24% dos mortos e feridos civis, concretamente: 14% as tropas afegãs, 6% as forças internacionais e 4% grupos armados que atuam do lado do governo em Cabul. A Unama não pôde identificar quem esteve por trás dos demais 13% de vítimas. Apelando a todas as partes do conflito para façam mais a fim de evitar vítimas civis, a missão da ONU destacou que uma das suas principais preocupações em 2018 foi o aumento de crianças mortas registradas: 927, o número mais alto da última década, vitimadas sobretudo por bombardeios aéreos e ataques suicidas. "O fato de o número de crianças mortas este ano ser o maior registrado até o momento é especialmente chocante", ressaltou no relatório a alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet. As negociações de paz, atualmente em curso entre Washington e o Talibã, despertam esperanças de um fim do conflito que dura 18 anos. Por outro lado, a eventual retirada das forças americanas do Afeganistão desperta temores de uma guerra civil ainda mais sangrenta. AV/efe,afp,dw ______________ A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube | WhatsApp | App | Instagram | Newsletter

Fonte: DW | dw-world.de

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