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Karl Lagerfeld, o prolífico e provocativo "Kaiser" da moda

11:19 | 19/02/2019

Astro inquestional da alta-costura, Karl Lagerfeld, falecido nesta terça-feira aos 85 anos, reinventou com brilhantismo a marca Chanel durante mais de 30 anos, enquanto construía um personagem quase teatral, famoso por seu aspecto, suas frases provocativas e sua erudição.

Com o cabelo branco preso em um rabo de cavalo, óculos escuros, suas luvas e a verborragia, o estilista alemão, conhecido como o "Kaiser", tinha uma aparência perfeitamente reconhecível.

Tão vaidoso como propenso às piadas, quando perdeu 42 quilos em 2002 afirmou que era para ser um "bom cabide" e entrar nas roupas que Hedi Slimane criava para a Dior.

Mas por trás da figura de língua afiada se escondia um homem intuitivo que sabia captar melhor que ninguém as necessidades de seu tempo. Como em 2004, quando desceu de seu pedestal para criar uma coleção para o grupo sueco de moda H&M, hoje algo completamente normal.

Nascido em Hamburgo, Lagerfeld sempre manteve uma aura de mistério a respeito de sua data de nascimento. Vários jornais alemães, com base em documentos oficiais, afirmam que ele nasceu em 10 de setembro de 1933. Ele disse que nasceu em 1935, durante uma entrevista à revista francesa Paris-Match em 2013, na qual afirmou que sua mãe "mudou a data".

Teve uma infância feliz, mas entediante, em uma zona rural remota da Alemanha durante o nazismo, entre um pai industrial e que viajava muito e uma mãe com personalidade forte, grande leitora, mas pouco afetuosa, que no entanto provocou sua paixão pela moda. O pequeno Karl desenhava vestidos enquanto sonhava com Paris, onde chegou na adolescência.

Em 1954, ele ganhou um concurso organizado pela Sociedade Internacional da Lã, empatado com Yves Saint Laurent, com quem ele simpatizou antes de se tornarem grandes inimigos. Foi contratado pelo estilista Pierre Balmain e passou três anos na maison antes de se tornar diretor artístico de Jean Patou.

No início dos anos 1960 começou uma carreira de estilista independente, trabalhando para várias marcas.

"Sou o primeiro que fez um nome com um nome que não era o seu. Devo ter mentalidade de mercenário", dizia.

De 1963 a 1984, trabalhou para a marca parisiense Chloé. Desde 1965, também criava para a italiana Fendi, que entretanto passou a integrar o grupo de luxo francês LVMH.

Para o grande público, o nome de Lagerfeld permanece indissociável da Chanel. Quando chegou em 1983, a empresa era considerada um pouco antiquada. Com a sua liderança voltou a ser jovem e desejável. Durante mais de 30 anos reinventou a marca a cada temporada, brincando com seus códigos.

Sintonizado com os novos tempos, organizou desfiles com encenações surpreendentes e espetaculares, em supermercados, galerias de arte ou na rua, sempre obtendo muito sucesso nas redes sociais.

Sua própria marca, lançada em 1984, teve diversos problemas antes de virar um sucesso há alguns anos. Lagerfeld também estabeleceu colaborações esporádicas com marcas como Wolford, Diesel, Volkswagen, Coca-Cola, entre outras.

Em sua vida privada, um homem ocupou um lugar central no coração do estilista: Jacques de Bascher, que também teve um relacionamento com Yves Saint Laurent. Sua morte - vítima de aids em 1989 - abalou Lagerfeld, sempre muito reservado sobre esta questão.

Viciado em trabalho ("Nunca pensei em aposentadoria", dizia ele), combinava a criação das coleções com seu trabalho com fotografia. Era ele quem assinava as campanhas da Chanel.

Os livros também ocupavam um espaço importante em sua vida. Ele tinha entre 250.000 e 350.000 volumes, de acordo com estimativas da imprensa, espalhados por suas diversas residências. O menino obrigado pela mãe a aprender a cada dia uma página do dicionário se torno um apaixonado pela literatura do século XVIII e início do XX.

Suas duas paixões se encontraram em 1999 quando fundou a própria editora e livraria "7L", que edita obras de arquitetura, fotografia ou de seus autores preferidos.

Fã de arte, vendeu em leilões em 2000 e 2003 duas de suas coleções do século XVIII (3,54 milhões de euros, 4 milhões de dólares) e de arte decorativa (1,1 milhão de euros, 1,2 milhão de dólares).

AFP