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Confrontos entre militares e rebeldes deixam 9 mortos na Caxemira indiana

12:17 | 18/02/2019

Nove pessoas morreram nesta segunda-feira na Caxemira indiana durante uma operação militar contra rebeldes, em resposta a um atentado que matou 41 paramilitares na região na semana passada e que exacerbou as tensões entre Índia e Paquistão.

As forças indianas iniciaram uma vasta operação contra os rebeldes suspeitos pela execução do atentado de quinta-feira contra paramilitares que retornavam de férias. Este foi o ataque mais violento já registrado desde o início da rebelião separatista contra Nova Delhi nesta região, um verdadeiro barril de pólvora disputado com o Paquistão.

Nesta segunda-feira, as forças de segurança iniciaram uma operação contra um suposto esconderijo rebelde no distrito de Pulwama, local do atentado, 30 km ao sul de Srinagar, capital do estado de Jammu e Caxemira, no vale da Caxemira.

Quatro soldados, dois rebeldes e um civil morreram nos confrontos na localidade de Pinglan.

Um soldado e um civil ficaram gravemente feridos. Alguns rebeldes conseguiram escapar da operação.

O grupo islamita Jaish-e-Mohammed (JeM), com sede no Paquistão, reivindicou o ataque com carro-bomba de quinta-feira contra um comboio que transportava quase 2.500 paramilitares da Reserva Central da Polícia.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, prometeu que os responsáveis pelo atentado "pagarão", após uma onda de indignação no país, com manifestações e pedidos de vingança.

A Índia acusa o Paquistão de apoiar os rebeldes, o que Islamabad nega.

No domingo, manifestantes em Nova Delhi queimaram cartazes com imagens de autoridades paquistaneses e do grupo JeM. Em várias cidades do país foram registradas agressões contra pessoas procedentes da Caxemira.

A cidade de Jammu, na parte sul da Caxemira, zona de maioria hindu, enquanto o vale de Srinagar tem maioria muçulmana, vivia nesta segunda-feira o quarto dia de toque de recolher. Após o atentado foram registrados ataques e incêndios em propriedades de muçulmanos da Caxemira.

Para restringir a circulação de informações, o serviço de internet móvel foi interrompido no estado.

Esta região do Himalaia é reivindicada por Índia e Paquistão desde o fim da colonização britânica em 1947 e está dividida entre os dois países. De acordo com analistas, a Índia mantém 500.000 soldados mobilizados em sua região, o que faz desta uma das zonas mais militarizadas do mundo.

O atentado da semana passada aconteceu em um momento delicado para o governo de Modi, com o país a ponto de organizar eleições legislativas entre abril e maio.

Os observadores consideram, no entanto, que a Índia deve conter a resposta imediata para não interferir na visita à região do príncipe herdeiro saudita Mohamed bin Salman.

Nova Delhi e Islamabad buscam manter boas relações com a Arábia Saudita. Mohamed bin Salman está no Paquistão e visitará a Índia entre terça-feira e quarta-feira.

bur-amd/lch/pa/es/fp

AFP