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Polônia se retira de cúpula em Israel e reunião é cancelada

10:37 | 18/02/2019

A Polônia se retirou de uma cúpula de países da Europa Central marcada para terça-feira em Israel, após acusações de antissemitismo lançadas pelo novo ministro das Relações Exteriores israelense.

A cúpula dos quatro países do Grupo Visegrado (Hungria, Polônia, Eslováquia e República Tcheca) foi cancelada e será substituída por "discussões bilaterais", anunciou o primeiro-ministro tcheco, Andrej Babis.

O porta-voz do ministério israelense das Relações Exteriores, Emmanuel Nahshon, confirmou que não haverá cúpula completa, mas disse que os três primeiros-ministros húngaro, eslovaco e tcheco ainda são esperados em Israel.

"Não será chamado Visegrad, porque requer a presença de todos os quatro (países). Será uma cúpula com membros do grupo Visegrado", disse ele à AFP.

Mais cedo, a Polônia avisou que abandonava esta reunião. "As palavras do ministro das Relações Exteriores de Israel são racistas e inaceitáveis. Está claro que o nosso ministro das Relações Exteriores (Jacek Czaputowicz) não irá à cúpula" do grupo V4, declarou o primeiro-ministro polonês Mateusz Morawiecki.

O recém-nomeado ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, disse ao jornal i24 News, no domingo, que "muitos poloneses colaboraram com os nazistas e, como disse (o ex-primeiro-ministro israelense) Yitzhak Shamir, 'os poloneses sugam o antissemitismo com o leite materno'".

Esta manhã, Morawiecki alertou o governo israelense contra um possível cancelamento da participação polonesa na cúpula V4 com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

"Esperamos uma reação firme às palavras imperdoáveis e simplesmente racistas do novo ministro das Relações Exteriores de Israel, algo que não pode ficar sem resposta", declarou à imprensa polonesa.

Essa tensão entre a Polônia e Israel começou na semana passada com declarações de Benjamin Netanyahu citadas na imprensa de seu país sobre o papel dos poloneses no Holocausto.

No domingo, Varsóvia anunciou que Morawiecki não iria a Israel para a reunião do grupo Visegrad e seria substituído por seu ministro das Relações Exteriores.

A Polônia reagiu assim às declarações de Netanyahu, que disse na sexta-feira que a imprensa de seu país tinha deturpado suas observações sobre a responsabilidade de poloneses emr crimes nazistas contra os judeus.

Conversando com jornalistas israelenses que o acompanhavam a Varsóvia na quarta e quinta-feira para uma conferência sobre o Oriente Médio, Netanyahu "falou sobre poloneses, não sobre o povo polonês ou sobre a Polônia", explicou seu gabinete.

A imprensa israelense relatou diferentemente as palavras ditas por Netanyahu e os serviços do governo de Israel não especificaram a qual versão estavam se referindo.

Comentaristas poloneses apontaram que as declarações israelenses foram feitas no contexto de uma campanha eleitoral em Israel.

No ano passado as relações entre os dois países também foram abaladas por uma polêmica lei polonesa, percebida em Israel e nos Estados Unidos como uma tentativa implícita de evitar que sobreviventes do Holocausto falassem dos crimes dos poloneses contra eles.

A Polônia acabou por emendar esta lei, destinada, a seu ver, a defender a imagem do país e dos poloneses durante a Segunda Guerra Mundial.

A cúpula do grupo Visegrad em Israel foi falada nesta segunda em Bruxelas pelos ministros das Relações Exteriores do V4, segundo a diplomacia polonesa no Twitter.

via/lch/sg/mr

AFP