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EI resiste em último reduto na Síria frente forças curdo-árabes

15:15 | 17/02/2019

O presidente americano Donald Trump pediu para os países europeus repatriarem centenas de cidadãos prisioneiros na Síria que tinham se unido ao Estado Islâmico (EI), cujos últimos combatentes controlam um pequeno do setor do leste sírio, prestes a cair.

Franceses, alemães, irlandeses, italianos, ingleses e canadenses foram capturados nas últimas ofensivas das Forças Democráticas Sírias (FDS) apoiadas pela coalizão liderada por Washington.

A ofensiva está perto do fim. Os extremistas estão entrincheirados no último setor de meio quilômetro quadrado em Baghuz, no leste da Síria.

Mas agora surge, com o fim dos combates, o espinhoso problema dos estrangeiros presos pelos curdos. Os homens estão na prisão, as mulheres e crianças em acampamentos de refugiados.

No Twitter, no sábado à noite, o presidente americano Donald Trump pediu para seus aliados para repatriar os prisioneiros.

"Estados Unidos pede para Grã-Bretanha, França, Alemanha e outros aliados europeus repatriarem mais de 800 combatentes do EI que capturamos na Síria para que sejam julgados", declarou.

"Não há alternativa, já que estaremos obrigados a liberá-los. Os Estados Unidos não querem que esses combatentes do EI se espalhem pela Europa", insistiu.

O governo semi-autônomo curdo se recusa a julgar estrangeiros e pede que sejam reenviados a seus países de origem. Mas as potências ocidentais se mostram globalmente reticentes, dada a hostilidade a ele de parte da opinião pública.

Paris, Bruxelas e Berlim reagiram neste domingo.

"Os curdos os prenderam e confiamos em sua capacidade de mantê-los" na prisão, disse o secretário de Segurança Interna da França, Laurent Nuñez.

"De qualquer forma, se esses indivíduos retornarem ao território nacional, eles terão todos os processos judiciais em andamento, serão julgados e presos", acrescentou.

A França, a princípio relutante, agora parece estudar o retorno desses cidadãos. Uma fonte próxima do caso considera que são 150 franceses, dos quais 90 menores.

Famílias e defensores dos direitos humanos estão preocupados com uma possível transferência desses franceses para o Iraque, onde centenas de pessoas foram condenadas à morte ou à prisão perpétua por terem se juntado à EI.

Na Bélgica, o ministro da Justiça, Koen Geens, apelou a uma "solução europeia".

"Agora temos principalmente mulheres e crianças no norte da Síria, mas também alguns combatentes conhecidos", disse ele na televisão.

Na Alemanha, fontes do Ministério das Relações Exteriores indicaram que Berlim está estudando "opções para permitir que cidadãos alemães deixem a Síria, especialmente casos humanitários".

A questão é ainda mais sensível desde que Trump anunciou em dezembro que retiraria os 2.000 militares americanos da Síria. Essa partida, e a ameaça de uma ofensiva turca contra as forças curdas, faz com que se tema um caos de segurança que o EI poderia aproveitar.

Em Baghuz, poucos extremistas defendiam neste domingo obstinadamente o pouco que resta do "califado" do Estado Islâmico (EI).

As FDS preveem anunciar a sua vitória sobre o EI "nos próximos dias", mas a última batalha contra os extremistas ainda não começou.

Os extremistas plantaram minas e cavaram túneis para se esconder. Além disso, lançam regularmente ataques suicidas.

"O EI fechou todas as ruas" de seu setor em Baghuz, declarou à AFP um porta-voz das FDS, Mustefa Bali, detalhando que ainda pode haver 2.000 civis nesta localidade.

O grupo está cercado "em centenas de metros quadrados e tem como reféns certa quantidade de civis, que recusam a libertar", indicou em sua conta no Twitter.

Desde o início de dezembro, 40 mil pessoas fugiram do setor, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). Em sua maioria familiares de extremistas, incluindo franceses, alemães e, sobretudo, iraquianos.

Os extremistas do Estado Islâmico conseguiram tomar importantes territórios de Iraque e Síria muito rapidamente em 2014, e proclamaram um "califado".

Nele criaram a própria administração, executaram e torturaram os que não seguiam a sua fé e fomentavam atentados, inclusive no exterior.

O fim do "califado" não será o fim do grupo EI.

Na Síria, os extremistas estão presentes no vasto deserto central de Badiya e reivindicam ataques às vezes fatais executados por "células adormecidas" nas regiões controladas pelas FDS.

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AFP