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Na Índia, acrobacias no primeiro Mundial de 'Mallakhamb'

12:08 | 17/02/2019

Vestido apenas com um calção preto, Pavel Kalina envolve seu corpo ao redor de um poste de madeira colocado em uma sala em Mumbai, encadeando posições sob o aplauso do público que assiste ao primeiro Mundial de 'Mallakhamb', uma antiga modalidade esportiva hindu.

Nascido no oeste da Índia, este esporte tradicional, cujas origens remontam ao século XII, parece uma mistura de ioga e ginástica. Daí o significado do seu nome: "ioga sobre um poste".

"Eu pratico porque sou louco", diz à AFP Pavel Kalina, um tcheco de 55 anos que mal consegue recuperar o fôlego após os dois minutos intensos de seu exercício, ainda lambuzado de óleo de rícino usado para limitar a fricção do corpo com a madeira.

"Para ser honesto, é uma tortura. Mas tenho muita energia para gastar", acrescenta este ex-ginasta, que pratica o 'mallakhamb' há 10 anos.

Cem atletas procedentes de 15 países participaram neste fim de semana do primeiro mundial desta modalidade pouco conhecida fora da Índia.

"'Malla' significa lutador e 'khamb' significa 'poste'", explica Uday Deshpande, de 65 anos, organizador do evento e o mais famoso praticante deste esporte.

"O poste mede 2,6 metros. É liso, muito bem polido e plano na parte superior", acrescenta. Os praticantes dessa modalidade encadeiam os exercícios acrobáticos com uma pausa, na qual realizam posições que recordam as do ioga.

"Diante da ausência de adversários, o inimigo é o poste", detalha.

Os homens, em sua maioria vestidos com trajes de banho, e as mulheres, com collants, fazem acrobacias prodigiosas neste cilindro de 35 centímetros de circunferência, diante do olhar atônito dos espectadores.

Deshpande assegura que não é apenas uma questão de força física. "Fazer ioga no chão tem múltiplas virtudes em termos de meditação, respiração e concentração. Fazê-lo a 2,6 metros de altura desenvolve também autoconfiança e coragem", disse à AFP.

A ideia de organizar este campeonato se originou para promover esta modalidade a nível mundial. Seu sonho agora é que o 'mallakhamb' possa passar a fazer parte algum dia do programa dos Jogos Asiáticos e, talvez, dos Jogos Olímpicos.

"Queremos fazer conhecer no exterior esse aspecto da cultura tradicional indiana", acrescenta.

Existe uma variante do 'mallakhamb' que é praticado sobre uma corda lisa, recordando os tradicionais números circenses executados por acrobatas com este elemento.

"Você tem a sentimento de estar se realizado e de desenvolver tanto sua força como sua elasticidade", assegura à AFP o iraniano Faezeh Jalali, de 39 anos.

"É uma loucura do que o corpo humano é capaz", conclui.

AFP