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EI resiste em último reduto na Síria frente forças curdo-árabes

11:05 | 17/02/2019

Alguns extremistas defendiam neste domingo (17) com obstinação o pouco que resta do "califado" do grupo Estado Islâmico (EI), entrincheirado em um reduzido setor no leste da Síria, onde impedem que civis fujam da ofensiva das forças curdo-árabes apoiadas pela coalizão internacional.

As Forças Democráticas Sírias (FDS) preveem anunciar a sua vitória sobre o EI "nos próximos dias", mas os extremistas, entrincheirados no povoado de Baghuz em menos de meio quilômetro quadrado, lidam com uma forte resistência.

Há vários dias, o presidente americano, Donald Trump, prometeu uma rápida derrota da organização ultrarradical. Neste domingo, exortou aos seus aliados europeus que repatriem e julguem centenas de extremistas estrangeiros detidos na Síria pelas FDS.

Mas na província de Deir Ezzor, na fronteira com o Iraque, a última batalha contra o EI das FDS não pode começar, apesar do apoio da coalizão internacional liderada por Washington.

Os extremistas plantaram minas e cavaram túneis para se esconder. Além disso, lançam regularmente ataques suicidas.

Neste domingo, não muito longe do front, aviões sobrevoavam uma base das FDS, constatou a AFP.

"O EI fechou todas as ruas" de seu setor em Baghuz, declarou à AFP um porta-voz das FDS, Mustefa Bali, detalhando que ainda pode haver 2.000 civis nesta localidade.

O grupo está cercado "em centenas de metros quadrados e tem como reféns certa quantidade de civis, que recusam a libertar", indicou em sua conta no Twitter.

"Os civis que fugiram contam que o EI os usa como escudos humanos", afirmou neste domingo à AFP um porta-voz da coalizão internacional, o coronel Sean Ryan.

Desde o início de dezembro, 40 mil pessoas fugiram do setor, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). Em sua maioria familiares de extremistas, incluindo franceses, alemães e, sobretudo, iraquianos.

Os extremistas do Estado Islâmico conseguiram tomar importantes territórios de Iraque e Síria muito rapidamente em 2014, e proclamaram um "califado".

Nele criaram a própria administração, executaram e torturaram os que não seguiam a sua fé e fomentavam atentados, inclusive no exterior.

Trump havia assegurado que o fim do "califado" do EI seria anunciado em breve. Neste domingo tuitou que o "califado" está "pronto para cair".

"Os Estados Unidos pedem que Grã-Bretanha, França, Alemanha e outros aliados europeus repatriem mais de 800 combatentes do EI que capturamos na Síria para que sejam julgados", declarou.

"Não há alternativa já que seremos obrigados a libertá-los. Os Estados Unidos não querem que esses combatentes do EI se espalhem pela Europa", insistiu.

O anúncio da vitória contra os extremistas poderia iniciar a retirada dos 2.000 militares americanos enviados à Síria, o que inquieta seus aliados.

O fim do "califado" não será o fim do grupo EI.

Na Síria, os extremistas estão presentes no vasto deserto central de Badiya e reivindicam ataques às vezes fatais executados por "células adormecidas" nas regiões controladas pelas FDS.

Nos últimos meses, "várias células adormecidas estrangeiras foram desmanteladas em múltiplas regiões da Síria", disse Bali neste domingo.

Se não houver uma força antiterrorista que opere de maneira contínua, os extremistas do EI poderiam se reorganizar em seis a 12 meses e "reconquistar territórios", advertiu recentemente um relatório militar americano.

A batalha contra o EI representa a principal frente da guerra na Síria, que deixou mais de 360 mil mortos e milhões de deslocados e refugiados desde 2011.

O regime de Bashar al-Assad, apoiado por seus aliados russo e iraniano, controla quase dois terços do país.

AFP