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Espanha terá eleições legislativas antecipadas em 28 de abril

07:24 | 15/02/2019

A Espanha terá eleições legislativas antecipadas no dia 28 de abril, anunciou nesta sexta-feira o primeiro-ministro do país, o socialista Pedro Sánchez, dois dias depois da rejeição no Parlamento de seu projeto de orçamento para 2019 e em um contexto de crise na Catalunha.

"Anuncio que (...) propus a dissolução das Câmaras e a convocação de eleições gerais para o dia 28 de abril", afirmou Sánchez, à frente do governo mais minoritário em 40 anos de democracia na Espanha.

As legislativas, as terceiras em três anos e meio, acontecerão quatro semanas antes do domingo 26 de maio, quando estão previstas na Espanha votações municipais, regionais e europeias.

O mandato da atual legislatura expirava em junho de 2020, mas Sánchez se viu obrigado a antecipar as eleições após a implosão da heteróclita base de apoio que o levou ao poder há oito meses, após uma moção de censura contra seu antecessor, o conservador Mariano Rajoy.

Em um ambiente tenso pelo julgamento de 12 líderes separatistas em Madri, os partidos independentistas da Catalunha, ao lado da oposição de direita, rejeitaram os projetos de orçamento que o Executivo havia apresentado como os mais sociais da última década.

A máquina socialista já está em modo campanha. No discurso desta sexta-feira, Sánchez defendeu o balanço de seu governo e afirmou que, apesar da ausência de orçamento, algumas de suas principais medidas estão garantidas, como o aumento de 22% do salário mínimo e o reajuste do salário do funcionalismo público.

Ao mesmo tempo, o primeiro-ministro acusou a oposição de direita de bloquear no Parlamento a descriminalização da eutanásia e as leis de combate à diferença salarial entre homens e mulheres.

"Tudo isto ficou paralisado (...) pela obstrução parlamentar do Partido Popular e do Cidadãos", disse.

Também reservou palavras aos separatistas catalães, ao recordar seu compromisso com unidade da Espanha.

"Dentro da Constituição e da legalidade estamos dispostos a falar, a dialogar (...) fora da Constituição, nada".

"Obviamente representa o fim de uma legislatura atípica, conturbada", afirmou à AFP a cientista política Paloma Román, da Universidade Complutense de Madri.

Desde 2015, a política espanhola enfrenta um período atribulado: o fim do bipartidarismo, tentativa de secessão na Catalunha seguida por uma suspensão temporária de sua autonomia, a queda de Rajoy em uma inédita aprovação de moção de censura.

Tudo isto aliado a um Parlamento fragmentado, onde o trabalho legislativo foi muito dificultado pela divergência de interesses dos partidos.

As pesquisas apontam o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) como vencedor das eleições, mas com um número de cadeiras que, inclusive somado ao partido de esquerda radical Podemos, não seria suficiente para governar.

As sondagens projetam uma maioria conservadoras, com a união do Partido Popular (PP) com os liberais do Cidadãos e a extrema-direita do partido Vox.

O trio elevou o tom nacionalista e no domingo passado, durante um protesto em Madri, Sánchez foi chamado de "traidor" por dialogar com o separatismo catalão.

"Esta coalizão seria muito mais dura com os catalães. É de esperar que neste cenário aumentem as tensões entre o governo central e a Catalunha", afirmou Steven Trypsteen, analista do banco ING.

Antonio Barroso, analista da consultoria londrina TENEO, destacou à AFP que o PSOE chegará às eleições com a questão catalã como um ponto contrário ao partido, já que a vontade de diálogo de Sánchez provocou receito entre alguns integrantes da formação.

Mas ele também acredita que Pedro Sánchez tem condições de recuperar votos à esquerda.

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