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Jornalistas alemães publicam em revista estudo falso sobre câncer

O caso dá margem para investigações contra revistas que não filtram a qualidade das publicações submetidas

18:07 | 20/07/2018
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Jornalistas alemães publicaram em revista científica um estudo falso sobre câncer. No entanto, a pesquisa utiliza dados e autores fictícios. A iniciativa dá fôlego para investigar periódicos pouco escrupulosos, informou o jornal francês Le Monde. A investigação pretende expor que qualquer indivíduo pode submeter e ter o trabalho aceito por dinheiro, mesmo que falso. 
 
 
Da rádio pública NDR  e do periódico Süddeutsche Zeitung, os jornalistas submeteram à revista Journal of Integrative Oncology, publicada por uma editora da Índia, chamada Omics, o resultado de um “estudo clínico que assegurava que o extrato de própolis é mais eficaz contra o câncer colorretal que as quimioterapias convencionais”. As informações são do O Globo.
 

O própolis é uma substância resinosa das árvores, transformada pelas abelhas para construir os alvéolos de suas colmeias. 

"O estudo era fictício, os dados inventados e os autores, afiliados a um instituto de pesquisas imaginário, tampouco existiam. O artigo, não obstante, foi aceito em menos de 10 dias e publicado em 24 de abril”, afirmou o Le Monde. Na conclusão, o artigo cita tema fora de contexto com “câncer”, desenvolvido no decorrer da pesquisa apresentada, mas sobre o efeito de massagens em doenças tromboembólicas. 
 
 
Anja Karliczek, ministra alemã de Educação e Pesquisas, se posicionou favorável à investigação para entender como o estudo foi aceito e publicado. De acordo com a agência de notícias alemã DPA, Anja comemorou que “este tipo de erros sejam levados à luz”. 
 
 
No entanto, para o Le Monde, o fato é generalizado. “Dezenas de editoras pouco escrupulosas criaram centenas de revistas de acesso aberto com nomes rimbombantes, com uma verdadeira aparência de publicações sérias”, descreve a reportagem do jornal francês. A NDR reitera o posicionamento do periódico ao afirmar que este tipo de revista não filtra a qualidade dos estudos submetidos e exigem dos autores “várias centenas de euros” por artigo publicado. 
 
 
No entanto, revistas de maior prestígio realizam exame prévio com quem deseja submeter artigos. Os autores passam pelo crivo de cientistas especializados no mesmo assunto. O processo de aprovação dura vários meses, sem contrapartida e sem pagamento pela publicação.
 
 
Redação O POVO Online 
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