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Bispos chilenos apresentam renúncia coletiva ao papa

Decisão foi tomada em meio a um escândalo de pedofilia no país

09:59 | 18/05/2018
Todos os 34 membros do episcopado do Chile apresentaram nesta sexta-feira (18) ao papa Francisco uma renúncia coletiva depois do escândalo de abuso sexual na Igreja Católica chilena. "Queremos comunicar que todos os nossos bispos presentes em Roma, por escrito, deixam nossos cargos nas mãos do Santo Padre, afim de que decida livremente por cada um de nós", anunciaram os religiosos.
   
A decisão acontece após o Pontífice concluir uma reunião de três dias com a Conferência Episcopal do Chile para discutir formas de enfrentar os escândalos de pedofilia na igreja do país latino. Até o momento, Jorge Mario Bergoglio não aceitou as demissões.
   
Francisco analisou as ações dos bispos chilenos em decorrência das denúncias de três vítimas de abuso sexual. Em coletiva de imprensa, o porta-voz dos religiosos, Fernando Ramos, pediu "desculpas pela dor causada às vítimas, ao Papa, ao povo de Deus e ao país pelos erros graves e omissões".
   
Além disso, Ramos agradeceu às vítimas "por sua perseverança e coragem, apesar das enormes dificuldades que tiveram que enfrentar tantas vezes em meio à incompreensão e aos ataques da própria comunidade eclesial".
    
Ata da Reunião

O canal de TV "T13" apresentou o texto na íntegra da ata da reunião. O documento apresentado resume as impressões do arcebispo de Malta, Charles Scicluna, enviado ao Chile, em fevereiro, para aprofundar as investigações contra o bispo de Osorno, Juan Barros, acusado de acobertar as violências sexuais do padre Fernando Karadima, 87 anos, condenado pelo próprio Vaticano.

O líder da Igreja Católica deixou claro que o episcopado atual está longe de ser "alguém que sabia ouvir a dor de seu povo por décadas e deu a luta contra a perseguição, servindo os perseguidos".
   
"Em momentos sombrios da vida do seu povo, a Igreja no Chile teve a coragem profética não só para levantar a voz, mas também para reunir-se para criar espaços na defesa de homens e mulheres a quem o Senhor havia confiado para assistir", escreveu o Pontífice.
   
O papa ainda acrescentou que "dói ver que, neste último período da história da Igreja chilena, a inspiração profética perdeu o poder para dar origem ao que poderíamos chamar de uma transformação em seu centro".
   
"A dolorosa e vergonhosa constatação de pedofilia, abuso de poder e consciência pelos ministros da Igreja e como que essas situações foram abordadas, deixa em evidência essa mudança de centro eclesial", afirmou.
   
O documento ainda revela que Francisco disse que "é urgente tratar e buscar reparação no curto, médio e longo prazo deste escândalo para restaurar a justiça e comunhão".
   
Ele alertou para os "círculos fechados" que flui em "espiritualidades narcisistas e autoritárias em que, em vez de evangelizar, o importante é se sentir especial, diferente dos outros, e deixando claro que nem Jesus nem o outro verdadeiramente são os interessantes".

"Messianismo, elitismo e clericalismo, todos são sinônimos de perversão na Igreja". Por isso, "confessar pecado é necessário, procurar ajuda é urgente, conhecer as raízes do que é sabedoria para o presente e futuro".

"[Espero] que a gravidade dos eventos não permita que nos tornemos caçadores, 'bodes expiatórios'", concluiu o Pontífice, no documento.

Entenda o caso

A reunião aconteceu em decorrência das denúncias realizadas por vítimas do padre chileno Fernando Karadima, já condenado pelo Vaticano por pedofilia, que acusam Barros de ter acobertado os casos durante anos, devido à sua proximidade com o sacerdote, seu mentor no seminário.

Na última passada, três vítimas foram recebidas por Francisco, que, em um primeiro momento, rechaçou as denúncias contra Barros. Somente depois que o arcebispo de Malta, Charles Scicluna, aprofundou as investigações, o Papa reconheceu ter cometido "graves erros de avaliação". No entanto, até o momento, nenhuma ação concreta sobre o escândalo foi anunciada.

Fonte: Ansa
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