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Epidemia

Há 100 anos, Gripe Espanhola matou presidente, afetou o Ceará e mudou o mundo

Dos escombros da Primeira Guerra, a doença se alastrou como não se via desde a Peste Negra medieval. Atingiu soldados, artistas, rei, presidentes e influenciou acontecimentos que desembocaram na Segunda Guerra Mundial. Em setembro de 1918, a epidemia chegou a Fortaleza e marcou a arte. Num mundo hiperconectado, uma nova pandemia é quase certeza

13:10 | 02/03/2018

Enfermeiras retiram macas das ambulâncias para atender as vítimas da Gripe Espanhola
Enfermeiras voluntárias da Cruz Vermelha em Camp Denves, Massachusetts, Estados Unidos (Foto: The National Archives and Records Administration)
Há cem anos, o planeta atravessava flagelo que não parecia acabar, qual fora prenúncio do fim dos tempos. Era o quarto ano de uma guerra como nunca se vira até então. Época de revolução e de aparições místicas. Então, dos escombros e trincheiras enlameadas, emergiu uma praga só comparável à Peste Negra medieval.

Nunca uma epidemia se alastrou tão rápido por área tão extensa e matando tanta gente. No dia 4 de março de 1918, no Kansas (EUA), ocorreu o que foi considerado o primeiro registro do que ficou conhecido como Gripe Espanhola. O local era destinado ao treinamento de tropas dos Estados Unidos para ir ao front na Primeira Guerra Mundial. O primeiro diagnóstico conhecido foi de um soldado. Logo a epidemia varreu a Europa. Em seis meses, aportou no Nordeste brasileiro. Chegou a Fortaleza, onde fez vítimas e ficou registrada na arte local.
 

Não há estimativas confiáveis, mas diferentes fontes falam em 20 milhões a 40 milhões, chegando a 50 milhões ou até 100 milhões de mortos em pouco mais de dois anos. Para ter ideia da dimensão que isso significa, a Primeira Guerra Mundial - que terminou naquele 1918 e redefiniu tecnologias bélicas, estratégias de luta e padrões de mortandade - tem número de cadáveres estimado entre 10 milhões e 20 milhões em quatro anos.

"Quem não morreu na Espanhola?", foi a indagação registrada pelo dramaturgo Nelson Rodrigues em suas Memórias.

Particularidade surpreendente está no fato de que as principais vítimas não eram crianças e idosos, normalmente mais vulneráveis. Jovens adultos, saudáveis até então, foram os mais afetados.
Foto de Rodrigues Alves
Rodrigues Alves foi o primeiro presidente eleito para dois mandatos, mas não chegou a tomar posse no segundo, em função da doença. (Foto: Galeria de ex-presidentes do Palácio do Planalto)

Entre os mortos no Brasil está Rodrigues Alves. Ele foi eleito em 1º de março de 1918 para o segundo mandato de presidente da República - o primeiro havia sido de 1902 a 1906. Porém, antes da posse, em 15 de novembro, contraiu a doença. Em seu lugar, tomou posse o vice-presidente Delfim Moreira. Alves morreu em 16 de janeiro de 1919, sem ter conseguido assumir o cargo. Conforme a regra da época, houve nova eleição, pois a vacância ocorreu antes da metade do mandato.

Rumos do pós-guerra


Não só a política brasileira foi afetada. Líderes e celebridades pelo mundo foram acometidos. Entre eles, o rei Afonso XIII, da Espanha. Isso acabou contribuindo para o nome pelo qual a pandemia ficou celebrizada.
Soldados nas trincheiras
Primeira Guerra Mundial foi marcada pelas batalhas de trincheiras e redefiniu formas de lutar e padrões de mortalidade. (Foto: Fotos Públicas)

Acredita-se que os primeiros casos remontem ao final de 1917, provavelmente nos campos de batalha europeus. Antes do caso em Kansas, na região central dos Estados Unidos, em 4 de março, patologistas militares haviam identificado sintomas de o que parecia ser uma nova doença. Mais tarde, a análise desses casos documentados levou à hipótese de que já seriam a gripe. Porém, nos países em guerra havia severo controle de informação.
Soldados australianos nas trincheiras, com mascaras de gás. Armas químicas foram pesadelo durante a Primeira Guerra. (Foto: Frank Hurley/Australian War Memorial/Fotos Públicas)

O uso de armas químicas foi das mais devastadoras novidades introduzidas naquele conflito. Havia temor de que as mortes fossem provocadas por alguma tecnologia desenvolvida pelo inimigo. Além disso, a notícia de que epidemia se alastrava entre as tropas poderia abalar o moral dos combatentes e dar ânimo aos adversários. Por esses motivos, notícias sobre a gripe foram censuradas de modo implacável nas nações beligerantes. Já na neutra Espanha, as informações circulavam mais livremente. Isso criou a falsa impressão de que o País foi mais afetado pela doença. Daí ter ficado marcada como Gripe Espanhola.

Passados 80 anos, em 1999, pesquisa conduzida pelo virologista John Oxford apontou o hospital de campanha em Étaples, no extremo norte da França, como provável foco de origem da pandemia, no inverno de 1917.
 

Décadas depois da epidemia, foi descoberta carta de um médico americano com relato dramático sobre os sintomas. O texto foi publicado no British Medical Journal. "Desenvolvem rapidamente o tipo mais viscoso de pneumonia jamais visto. Duas horas após darem entrada (no hospital), têm manchas castanho-avermelhadas nas maçãs do rosto e algumas horas mais tarde pode-se começar a ver a cianose estendendo-se por toda a face a partir das orelhas, até que se torna difícil distinguir o homem negro do branco. A morte chega em poucas horas e acontece simplesmente como uma falta de ar, até que morrem sufocados. É horrível. Pode-se ficar olhando um, dois ou 20 homens morrerem, mas ver esses pobres-diabos sendo abatidos como moscas deixa qualquer um exasperado".
Rosto de Walt Disney
Walt Disney. (Foto: divulgação)

O rei espanhol sobreviveu à doença. Outras celebridades mundiais tiveram a Espanhola e escaparam, como o tcheco Franz Kafka, um dos maiores escritores de todos os tempos. Na época, O processo estava sendo escrito e O castelo nem havia sido iniciado. Walt Disney também foi contagiado, uma década antes de criar o Mickey Mouse. Lenda da história do cinema, a atriz sueca Greta Garbo teve a doença na adolescência.

Franklin Delano Roosevelt, que seria o presidente que conduziria os Estados Unidos ao longo dos anos de Grande Depressão e da Segunda Guerra Mundial, foi outro a ser acometido. Na época, ele era secretário assistente da Marinha.
Rosto de Woodrow Wilson
Woodrow Wilson. (Foto: Governo dos Estados Unidos)

No cargo de presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson teve a Espanhola enquanto participava das negociações de paz ao final da Primeira Guerra. Ele defendia um acordo igualitário, mas teve envolvimento nas conversas prejudicado. Não fosse pela doença, talvez ele tivesse influenciado por outro teor do Tratado de Versailles.

Os duros termos impostos à derrotada Alemanha mergulharam o país em grave convulsão econômica, social e política. Criaram, então, ambiente para ascensão do nazismo e a eclosão da Segunda Guerra Mundial. O resto é história.

Pandemia global

Estima-se que um quinto da população mundial tenha sido infectado pela Espanhola. A primeira guerra a reunir exércitos de todos os continentes criou condições ideais para a propagação vertiginosa e sem precedentes. Houve epidemias antes que atingiram o mundo todo, como o cólera, a tuberculose e a malária. Porém, levou séculos ou até milênios para que se espalhasse. A Peste Negra já atingia o Oriente e, no intervalo de quatro anos, alastrou-se pela Europa. Sem, todavia, o caráter global.

Em 1918, combatentes de nações de todas as partes do planeta se enfrentavam na Europa. Aglomerados, em condições dramaticamente insalubres, sem imunidade, prestes a voltar a seus países e espalhar o contágio. O fluxo naval generalizado não tinha precedentes. Nunca, antes ou depois, um vírus havia encontrado condições tão favoráveis para varrer o mundo.
Camas enfileiradas e pacientes sendo atendidos em hospital militar
Hospital militar no acampamento Funston, Kansas, em 1918. (Foto: Exército dos Estados Unidos/Fotos Públicas)

Inclusive a mentalidade era propícia para disseminar o pânico em torno de uma peste que parecia sinal do fim dos tempos. Em novembro do ano anterior, havia irrompido a Revolução Russa. O sistema capitalista de produção e repartição de riquezas foi colocado em questão como nunca antes. A religião também.

Em janeiro de 1918, Vladimir Lenin rompeu os laços entre Estado e a Igreja Ortodoxa e desapropriou os bens eclesiásticos. O ateísmo era defendido, mesmo que práticas religiosas não tenham sido legalmente proibidas. Houve, todavia, tentativas de controlar e dificultar. Religiosos foram perseguidos e templos foram destruídos. Cultos eram restritos praticamente ao âmbito privado.

Aquela postura abalava certezas e, para os crentes, era mais um sinal da iminência do fim dos tempos. Relatos das das visões de Nossa Senhora em Fátima, entre maio e outubro de 1917, eram elemento extra em um mundo em colapso. A Gripe Espanhola veio para coroar o cenário interpretado como prenúncio do Apocalipse.
Três pastores sob o pórtico
Pórtico onde três pastores tiveram visões de Nossa Senhora , em Fátima, entre maio e outubro de 1917

A propósito, Jacinta Marto e Francisco Marto, dois dos três pastores que relataram as visões de Nossa Senhora em Fátima, morreram da Espanhola em 1920.

Epidemia no Brasil e no Ceará


A epidemia chegou ao Brasil em setembro de 1918, quando o navio inglês Demerara, oriundo de Lisboa, passou pelos portos de Recife, Salvador e Rio de Janeiro. Em 23 de setembro, surgiu a notícia de 55 marinheiros brasileiros acometidos por dengue ou "uma espécie de tifo", no porto de Dakar, durante operações de guerra na costa da África. O contágio de marinheiros levou a epidemia a se espalhar pelas regiões portuárias. Em poucas semanas, surgiram novos casos em outras cidades do Nordeste e em São Paulo.

A Fortaleza, a doença chegou em 28 de setembro de 1918, trazida pelo vapor Ceará, da companhia Lloyd Brasileiro. A embarcação vinha dos estados ao sul, onde a epidemia acabara de chegar.

No primeiro momento, houve dúvidas na imprensa sobre se a doença realmente estava no Brasil. A estrutura de saúde pública era precária e a vigilância sanitária quase inexistia. Logo a realidade se impôs.
 

O impacto social da Espanhola

O dramaturgo Nelson Rodrigues tinha seis anos de idade e vivia no Rio de Janeiro havia dois quando testemunhou a então capital da República ser assolada pela epidemia. Os relatos em suas memórias são o mais impressionante registro da doença na literatura brasileira.

"(...) a gripe foi justamente a morte sem velório. Morria-se em massa. E foi de repente. De um dia para o outro, todo mundo começou a morrer". O escritor reparou em particular na mudança sobre os ritos fúnebres. "Os primeiros ainda foram chorados, velados e floridos. Mas quando a cidade sentiu que era mesmo a peste, ninguém chorou mais, nem velou, nem floriu. O velório seria um luxo insuportável para os outros defuntos. (...) durante toda a espanhola, a cidade viveu à sombra dos mortos sem caixão".

Nelson Rodrigues conta de cenário desolador, pavoroso. A ideia de partida tranquila e sem sofrimento era um devaneio. As formas da morte conheceram novos parâmetros. "Morrer na cama era um privilégio abusivo e aristocrático. O sujeito morria nos lugares mais impróprios, insuspeitados: - na varanda, na janela, na calçada, na esquina, no botequim. Normalmente, o agonizante põe-se a imaginar a reação dos parentes, amigos e desafetos. Na Espanhola não havia reação nenhuma. Muitos caíam, rente ao meio-fio, com a cara enfiada no ralo. E ficavam lá, estendidos, não como mortos, mas como bêbados. Ninguém os chorava, ninguém. Nem um vira-lata vinha lambê-los. Era como se o cadáver não tivesse nem mãe, nem pai, nem amigo, nem vizinho, nem ao menos inimigo".
 

A forma de lidar com os corpos era igualmente aterradora. "(...) vinha o caminhão de limpeza pública, e ia recolhendo e empilhando os defuntos. Mas nem só os mortos eram assim apanhados no caminho. Muitos ainda viviam. Mas nem família, nem coveiros, ninguém tinha paciência. Ia alguém para o portão gritar para a carroça de lixo: 'Aqui tem um! Aqui tem um!'. E, então, a carroça, ou o caminhão, parava. O cadáver era atirado em cima dos outros. Ninguém chorando ninguém".

Calcula-se entre 30 mil a 35 mil o número de mortos no País. Conforme dados do especial publicado pelo Instituto Butantã para marcar o centenário da epidemia, foram 12,7 mil só no Rio de Janeiro. Houve ainda seis mil mortes em São Paulo, 1.316 em Porto Alegre, 1,25 mil em Recife e 386 em Salvador.
Nelson Rodrigues em 1949
Nelson Rodrigues em 1949, 30 anos após a Espanhola assombrar-lhe a infância. (Foto: Carlos Cedoc/Funarte)

Se familiares não mais tinham ânimo para rituais, os carregadores muito menos. Nem para esperar o desfecho previsível. "E o homem da carroça não tinha melindres, nem pudores. Levava doentes ainda estrebuchando. No cemitério, tudo era possível. Os coveiros acabavam de matar, a pau, a picareta, os agonizantes. Nada de túmulos exclusivos. Todo mundo era despejado em buracos, crateras hediondas. Por vezes, a vala era tão superficial que, de repente, um pé florescia na terra, ou emergia uma mão cheia de bichos".
 

Outro dramaturgo, o cearense Carlos Câmara, contou da chegada da doença ao sertão, em sua peça de estreia - A bailarina, apelido que deu à doença. "A bailarina é espanhola. Veio da Europa, atravessou os mares, chegou ao Rio e tem percorrido o país inteiro de um a outro extremo, fazendo um salseiro de mil diabos. Meteu gente no buraco, p'ra burro", relata a personagem Elisiário.

"Pois a bailarina, senhores, e como eles. É transformista. Toma os mais variados aspectos, atuando, ao mesmo tempo, de diferentes modos e em órgãos diversos do aparelho humano. Aparece com dores na cabeça, nas cadeiras, nas bochechas, na nuca, em todas as partes do corpo, enfim. Vem quase sempre acompanhada de uma febre, que varia de 80 a 90 graus, abaixo de zero", acrescenta ele. E diz ainda: "(...) a bailarina foi a pior epidemia que já assolou o mundo. Basta saber-se, senhores, que ela fez os fortes ficarem fracos, meteu os fracos no buraco e encheu os hospícios de doido. Tenho dito".

A Espanhola varreu o mundo como ondas. Até o verão europeu de 1918, por volta de agosto, foi o primeiro ciclo. Praticamente restrita a Europa e Estados Unidos, foi a menos severa. Com a chegada do outono no Hemisfério Norte, a partir de setembro, alastrou-se pelo planeta. Foi a etapa de maior gravidade, com elevado percentual de morte dos atingidos. Foi nesse momento que a gripe chegou ao Brasil. Esse segundo ciclo estendeu-se até meados do inverno, no começo de 1919. A partir de fevereiro, começou a última onda, com resquícios até 1920.

"De repente, passou a gripe", relatou Nelson Rodrigues. Com o fim da epidemia, as coisas não mais foram as mesmas. "A peste deixara nos sobreviventes não o medo, não o espanto, não o ressentimento, mas o puro tédio da morte. Lembro-me de um vizinho perguntando: 'Quem não morreu na Espanhola?'. E ninguém percebeu que uma cidade morria, que o Rio machadiano estava entre os finados. Uma outra cidade ia nascer. Logo depois explodiu o Carnaval. E foi um desabamento de usos costumes, valores, pudores".

O vírus


Tamanho cataclismo foi causado por um vírus da gripe de tipo A, subtipo H1N1. Basicamente, o mesmo da pandemia de 2009 da chamada "gripe suína". Recentes pesquisas sugerem que o elevado padrão de mortalidade de pessoas entre 20 e 40 anos talvez se explique por uma lacuna de imunidade.

Epidemias de gripe são conhecidas desde a antiguidade. A última grande ocorrência havia sido registrada por volta de 1880. No período entre 1889 e 1900, tornou-se mais comum a circulação de uma variedade totalmente diferente da gripe, o H3N8. Com isso, nascidos nesse período, em grande parte, não tiveram contato com o H1N1 até a eclosão da Espanhola. O fato de serem infectados apenas quando adultos fez com que a manifestação dos sintomas fosse mais intensa que os atingidos quando crianças e também que os idosos, que já dispunham de imunidade prévia.

Como a Espanhola mudou o mundo

A tragédia da epidemia trouxe seu lado positivo. Foi determinante para a estruturação de sistemas de saúde no mundo todo.

Na mesma Conferência de Paz em Paris da qual saiu o Tratado de Versailles, foi criada a Liga das Nações. A antecessora da ONU não teve sucesso em seu objetivo de manter a paz - em 1939, estourou guerra ainda maior. Mas, ao longo da década de 1920, iniciou campanhas de prevenção e educação.

O trabalho foi sério e contribuiu para a criação de sistemas de alerta e monitoramento de doenças como cólera, varíola e febre amarela. As informações eram difundidas via telégrafo. Houve ainda investimento em pesquisas, padronização de vacinas e campanhas de vacinação.

Hoje, vírus similares ao da Espanhola e muitos outros permanecem em circulação. O desenvolvimento de vacinas e a realização de campanhas de vacinação procuram manter patamares de imunidade da população para evitar outro surto daquela proporção. Porém, o que se avançou por um lado criou, por outro, ambiente muito mais propício à disseminação de doenças.

O planeta hiperconectado cria condições para vírus como ebola, Sars e zika rapidamente se espalharem pelo mundo. Sistemas de alertas, monitoramentos e padrões de imunização tentam conter o risco cada vez mais iminente. A facilidade para espalhar uma doença globalmente multiplicou-se exponencialmente em comparação com 1918.

"Sabemos que acontecerá, mas não temos nenhuma possibilidade de evitá-lo", resigna-se Sylvie Briand, especialista em riscos infecciosos na Organização Mundial da Saúde (OMS).

Referências:


Butantã: 100 anos - Gripe Espanhola

Público:
Cientistas afirmam ter desvendado grandes mistérios da gripe espanhola

Fiocruz: Pandemia de gripe de 1918

Stanford: The Influenza Pandemic of 1918

BBC: Vírus que matou mais que 1ª Guerra deixou lições para combate a ebola

ÉRICO FIRMO