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Buraco negro: professor da UFC explica uma das principais contribuições de Hawking para a ciência

Após a morte do físico nesta quarta-feira, 14, a comunidade científica relembrou os feitos do físico

16:46 | 14/03/2018
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O conceituado pesquisador Stephen Hawking, que morreu nesta quarta-feira, 14, deixou grande contribuição para a ciência. Estudando a cosmologia, ramo da física que fala sobre a origem do universo, o britânico criou teorias que buscam explicar a dinâmica dos buracos negros. O professor do departamento de física da Universidade Federal do Ceará (UFC), Daniel Brito, explicas essas teorias que tornam Stephen Hawking o astrofísico mais popular do mundo depois de Albert Einstein.

De acordo com Daniel, algumas ideias da comunidade científica sobre os buracos negros foram questionadas por Hawking. Anteriormente, as teorias da cosmologia mostravam que os buracos negros não emitiam luz e não carregavam matéria. Entretanto, por meio de cálculos, Hawking descobriu que os buracos negros na verdade evaporam. Dentro deles, poderia existir matéria e até radiação térmica. “Hawking foi o primeiro a falar dessa radiação, tanto que a teoria ganhou o seu nome”, conta Daniel. 
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O objetivo desse estudo teórico era descobrir as origens do universo. Para Hawking, o universo surgiu de um ponto e voltará para esta mema marca. “Chamamos de ponto de singularidade o local onde as leis fundamentais da física não necessariamente funcionam. Isso seria uma espécie de buraco negro”, explica Daniel. O professor ressalta que o assunto pode ser difícil de entender por ser tão baseado em teorias. “Não temos estudos práticos sobre o assunto, por isso que os estudos de Hawking ainda são uma teoria, ainda impossível de comprovar”.

A contribuição de Hawking foi feita toda baseada em cálculos matemáticos. O britânico analisou o universo de uma forma diferente da que estava sendo feita até o momento: juntando as teorias fundamentais da física, com o a Teoria da Relatividade de Albert Einstein, e a mecânica quântica. A partir disso, pesquisas são feitas no mundo inteiro utilizando os mesmos princípios. A meta agora é chegar à imagem do buraco. “Na verdade, ninguém nunca viu um buraco negro, não temos como demonstrar com imagens o que seria, somente por meio de projeções”. 

Daniel conta que a melhor projeção considerada pelos cientistas é a de Kip Thorne, um físico-teórico americano. A representação gráfica do buraco negro chegou a ser utilizada no filme Interestelar, de 2014. O professor explica ainda que os estudos ficam mais complicados devido ser impossível de chegar próximo ao buraco negro, pois tudo perto dele é “engolido”. Indiretamente, é possível perceber a presença de um buraco negro em uma galáxia devido à emissão de radiação que fica em torno dele. O professor também reitera que outros estudiosos produziram teorias na área, complementando ou discordando de Hawking.

Além da área teórica da cosmologia, Daniel afirma que Stephen Hawking foi um grande divulgador científico. A pesquisa do físico alcançou milhares de pessoas por conta da fama que ele recebeu. Seu livro “Uma Breve História do Tempo” serviu de estudo para pesquisadores e influenciou pessoas que não estudavam física, que também ficaram interessadas pelo assunto. “Alguns diziam que ele era mais pop star do que físico, mas a divulgação feita por ele foi um marco”.
 
Redação O POVO Online 
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