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Arqueólogos podem enfim ter desvendado mistério da "múmia que grita"

A identidade do corpo semi-mumificado foi atribuída a um príncipe que teria sido enforcado após planejar a morte do próprio pai, Ramsés III. A "múmia" tem a boca aberta, como que em desespero

22:10 | 14/02/2018
Arqueólogos podem ter resolvido o mistério da “múmia que grita”, um corpo preservado de boca aberta que foi encontrado perto de múmias da realeza, ainda no fim do século XIX, no complexo de tumbas das Múmias Reais de Deir-el-Bahari
 
A identidade do corpo semimumificado foi atribuída a príncipe que teria sido enforcado após planejar a morte do próprio pai, Ramsés III. A "múmia" tem a boca aberta, como que em desespero (Foto: Wikipedia/Creative Commons)
O arqueólogo egípcio Zahi Hawass explicou a hipótese nessa segunda-feira, 12, á revista Al-Ahram Weekly. Zahi também foi o secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito entre 2002 e 2011.

O cadáver não é propriamente uma mumificação, o que intrigou pesquisadores desde então. 
 
O corpo, conhecido como “Unknown Man E” (“Homem Desconhecido E”, em tradução livre), pode ter pertencido ao príncipe Pentewere, filho de Ramsés III.

Registros históricos indicam que ele foi enforcado por estar envolvido em uma trama para matar seu pai. Marcas encontradas no pescoço da múmia e análise de DNA indicam que o corpo era mesmo de Pentewere. 
 
Após morto, ele não foi mumificado, mas deixado para secar naturalmente e depois envolvido em pele de carneiro, material considerado impuro no Egito Antigo. Comumente, múmias eram enroladas em linho fino.

É considerado mumificação "o complexo processo que envolve a remoção dos órgãos internos e o embalsamamento cuidadoso do corpo", conforme paleontólogos entrevistados pelo jornal britânico The Independent.

A identidade do corpo semimumificado foi atribuída a príncipe que teria sido enforcado após planejar a morte do próprio pai, Ramsés III. A "múmia" tem a boca aberta, como que em desespero (Foto: Reprodução/Ministério da Cultura do Egito)
Apesar da traição do príncipe não ter se concretizado, evidências arqueológicas indicam que Ramsés morreu aos 60 anos, assassinado, tendo sua garganta cortada.

“Uma mumificação incomum assim deixou egiptólogos perplexos e nenhum teve sucesso em saber a história por trás da múmia até o lançamento do nosso projeto, alguns anos atrás, sob minha direção, para criar um completo banco de dados forense da coleção do Museu Egípcio", disse Hawass à Al-Ahram Weekly. 
 
Redação O POVO Online