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Venezuelanos chegam a consumir comida de cachorro e ração de galinha, diz ONG

Crise política e econômica na Venezuela leva população a medidas extremas. Segundo cálculos da Comissão de Finanças da Assembleia Nacional, a inflação pode fechar em 14.000% no país

10:43 | 16/01/2018
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A Provea, ONG venezuelana de defesa aos direitos humanos, denunciou na última quarta-feira, 10, que existem pessoas na Venezuela se alimentando de comida de cachorro e ração de galinha devido à crise política e econômica no país. Uma equipe da Organização percorreu supermercados em Caracas observou venezuelanos comprando produtos voltados para animais para consumo humano. Na última quinta-feira, 11, quatro pessoas morreram no país em decorrência de saques em supermercados. Ao todo, foram sete mortes nas últimas duas semana ocasionadas por situações como essa.


Ao entrevistar as pessoas que compravam o produto nos supermercados, membros da Provea escutaram histórias parecidas envolvendo receitas diferentes. Alguns preparavam a comida para cachorro com ovos mexidos. Outros, faziam uma gororoba com arroz, para disfarçar o sabor. A ração de galinhas passou a ser utilizada como arroz por ter menor preço e maior rendimento, diz a ONG.


“As pessoas estão comendo uma espécie de salsicha para cachorro. É uma mistura de partes não comestíveis do frango: ossos triturados, penas, pele e cartilagem” afirmou um dos diretores da Provea, Carlos Patiño, em entrevista ao Estadão . “Médicos que consultamos afirmam que o consumo humano desse tipo de produto é altamente perigoso, porque o processamento não segue padrões de higiene.”


A crise alimentar acontece tanto por escassez quanto pela alta na inflação, que induz preços proibitivos para grande parte dos venezuelanos. Um quilo de açúcar está custando em média 155 mil bolívares – um terço do salário mínimo no país, de 456 mil bolívares. As projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) estimam que a inflação pode fechar em 2.300% em 2018. Cálculos da Comissão de Finanças da Assembleia Nacional dizem que o índice pode ser ainda maior, fechando em 14.000%.

 

Redação O POVO Online

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