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Em Caracas, oposição vai às ruas contra Maduro

17:55 | 01/09/2016
Protesto pressiona por referendo para revogar o mandato do presidente da Venezuela. Segundo oposição, ato reúne 1 milhão de pessoas na capital. Novas passeatas são convocadas para as próximas semanas em todo o país. A oposição ao governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro se reuniu nesta quinta-feira (01/09) nas ruas da capital do país para a chamada "Toma de Caracas" (Ocupação de Caracas), exigindo a definição de uma data para o referendo revogatório do mandato do chefe de governo. Segundo a Mesa da Unidade Democrática (MUD), maior aliança de partidos opositores do país, o protesto reuniu pelo menos um milhão de pessoas, boa parte vestindo camisetas brancas e bonés amarelos, azuis e vermelhos, na cor da bandeira venezuelana, espalhadas por 20 quilômetros de vias. "Para que a nação possa se expressar é necessário convocar uma consulta eleitoral antecipada, e tal consulta tem nome e sobrenome em nossa Constituição: seu nome é referendo e seu sobrenome é revogatório", clamou Jesús Torrealba, secretário executivo da MUD. "É isso que exigimos." Para Torrealba, "é óbvio que, do ponto de vista tecnológico e processual, há tempo [para a realização do referendo ainda neste ano], mas isso depende de um só fator, que é a vontade política". Os opositores ainda convocaram um "grande panelaço nacional" para esta noite para celebrar a Toma de Caracas que, segundo Torrealba, "marcará o início dessa nova e definitiva etapa de luta". Desde o início de 2014, quando uma onda de protestos sacudiu o país e deixou 43 mortos, a oposição vinha falhando em organizar grandes passeatas. Nesta quinta-feira, manifestações se deram também em outras cidades venezuelanas, bem como em capitais da América Latina, em apoio a Caracas. Milhares de simpatizantes de Maduro também foram às ruas da capital nesta quinta, para mostrar apoio à "revolução socialista". Apesar da baixa popularidade, o presidente ainda conta com a aceitação de cerca de 20% dos eleitores venezuelanos, segundo estimam agências internacionais. "A oposição, com sua marcha, quer derrubar o presidente, mas não vão conseguir", afirmou a manifestante Adriana Jiménez. "Eles não têm pessoas, não têm o povo." Detenções antecedem protesto Enquanto o governo denuncia supostos planos golpistas relacionados às manifestações opositoras, políticos da oposição rechaçam a onda de repressão antes da grande marcha desta quinta-feira. O partido opositor Primero Justicia (PJ) denunciou que 11 de seus militantes foram detidos pela Guarda Nacional Bolivariana ao se dirigirem à capital do país para participar do protesto. O Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa da Venezuela denunciou que as autoridades do país estavam impedindo a entrada e expulsando jornalistas estrangeiros que iriam cobrir o ato. Nesta terça-feira, três jornalistas da emissora Al Jazeera que pretendiam cobrir a marcha em Caracas foram detidos ao chegarem ao aeroporto venezuelano de Maiquetía. Segundo a imprensa local, uma jornalista do México foi expulsa do país no mesmo dia. O governo venezuelano também fechou nesta quinta-feira os acessos à capital que seriam usados por manifestantes. Dentro de Caracas, pelo menos quatro estações de metrô foram fechadas. "Toma de Venezuela" Nesta quinta-feira, ao término da manifestação, a MUD declarou-se em "protesto permanente" e anunciou uma agenda de atividades para continuar pressionando por um referendo revogatório. Na próxima quarta-feira, 7 de setembro, estão previstas marchas até as sedes do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) em todo o país, exigindo rapidez na convocação se o referendo for realizado depois de 10 de janeiro e Maduro for revogado, é o vice-presidente o encarregado de completar o mandato. Para 14 de setembro, a oposição convocou mobilizações de 12 horas nas capitais de todos os estados venezuelanos, e anunciou ainda a "Toma de Venezuela" (Ocupação da Venezuela), para algumas semanas mais tarde, com protestos em todo o país com duração de 24 horas. A Venezuela vive uma grave crise econômica e política. Apesar de ter as maiores reservas petrolíferas do mundo, a economia atravessa grandes dificuldades, levando Maduro a decretar, em janeiro, estado de emergência econômica. A população sofre com a escassez de alimentos e medicamentos. EK/efe/dpa/rtr/dw
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