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Campeãs herdaram dos pais o gosto pelo mar; Torben Grael vibra com ouro da filha

05:50 | 19/08/2016

Ao atravessar a linha de chegada dois segundos à frente das adversárias nos Jogos do Rio, Martine Grael, de 25 anos, garantiu a oitava medalha olímpica da família, dando continuidade à trajetória da �dinastia Grael�, velejadores há três gerações na Baía de Guanabara.

Para Torben, pai de Martine e coordenador técnico da equipe brasileira, o segredo é a paixão. �A gente curte muito o esporte. Quando faz as coisas com o coração, a gente vai passando a experiência de geração para geração�, afirmou. Ele disse ter sentido uma �emoção diferente� ao ver o ouro da filha. �Estando de fora você se emociona muito mais. Você não tem controle. Não pode fazer nada.�

Os irmãos Torben e Lars foram os primeiros a ganharem medalhas olímpicas, numa família que navega a Baía de Guanabara desde os anos de 1920. Lars tem dois bronzes (Seul-1988 e Atlanta-1996). Torben é o maior medalhista da família - foi premiado cinco vezes (ouro em Atenas-2004 e Atlanta-1996, na classe Star; bronze em Seul-1988 e Sydney-2000, na Star; e prata e Los Angeles-1984, na classe Soling). Mas, para ele, Martine já o superou. �Ela me passou. Eu só fui ganhar medalha de ouro bem depois do que ela (aos 36 anos). Ela já tem o título de velejadora do ano, já é campeã mundial. Tudo antes de mim. Essa comparação só serve de incentivo para ela. Cada um faz a sua história�, disse.

Para o pai, Martine enfrentou pressão maior em função do nome da família, de competir em casa e por sua dupla ser a última chance de medalha da vela nesta edição dos Jogos. �Elas se saíram magnificamente. Estavam bem seguras�. Além de Martine, o filho mais velho, Marco, também competiu na classe 49er. Ele ficou em 11.º e não foi à medal race por um ponto.

�As conquistas são deles. O fato de a gente ter conseguido mostra a eles que é possível. Quando eles começaram a velejar, a gente fez questão de que eles curtissem o esporte e os amigos que poderiam fazer. O resto é de cada um. Eu tenho dois irmãos. Um é competitivo como eu e o outro tem uma cabeça diferente, é ambientalista, não gosta tanto de competição.�

ANTES DE NASCER - Martine veleja desde a barriga da mãe - Andrea Grael competiu em regatas até o sétimo mês de gravidez. �Mais importante do que ganhar mais uma medalha foi velejar na Baía de Guanabara, ter tido essa torcida maravilhosa e ganhar aqui�, disse Andrea, que nunca viu o marido ao vivo vencer em Olimpíada. Nesta quinta-feira, ela não se conteve e nadou até a filha.

Kahena Kunze também vem de família de velejadores. O pai, Claudio Kunze, também conquistou títulos no esporte. Mas não conseguiu assistir à prova da filha. �Ele estava muito nervoso. A última perna não quis nem ver. Mas eu estava confiante. Eu pulei na água. Eu nadaria até Niterói para encontrá-las�, disse Audrey Kunze, mãe de Kahena.

Kahena vibrou com a mãe e sabe que as conquistas da família Grael no esporte são incríveis, mas também espera deixar um legado para as próximas gerações. �Minha família está muito orgulhosa. Meus pais sempre velejaram, meu pai ganhou algumas regatas, e agora me olham babando com esse ouro. Espero influenciar jovens, porque a vela é um pouco apagada no Brasil. Espero que o esporte se torne mais popular�, afirmou.

Todos eles estavam dentro da área de competição e puderam ver a façanha da dupla mais de perto. Mas os avós de Martine torceram, mesmo que de longe, para que a neta chegasse ao ouro. Normando Soffiati, de 80 anos, mal encerrava uma ligação telefônica, nesta quinta à tarde, e o celular já começava a tocar novamente. A série de quase dez ligações seguidas tinha uma justificativa: a neta, Martine Grael, acabara de conquistar o ouro no torneio olímpico de vela.

�� a maior emoção da minha vida�, resumiu, entre uma ligação e outra, enquanto tentava ingressar na área onde seria realizada a premiação, na Marina da Glória, na zona sul do Rio.

Normando acompanhou a regata junto com a mulher, Márcia Soffiati, de 74 anos, mas preferiu assistir pelo telão, enquanto Márcia ficou à margem da água, vendo os barcos ao longe.

�Torço muito, tinha muita expectativa por essa medalha�, disse a avó de Martine. �A gente sabia que teria medalha, só não sabíamos a cor�, completou Normando. �Martine tem muito sangue frio. Ela soube esperar o momento de definir a regata�. Sem conseguir entrar na área de premiação, o casal assistiu à cerimônia das medalhas separado da neta por um alambrado.

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