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Crise do Brasil gera consequências boas e ruins ao Paraguai

O Paraguai - sócio do Brasil no Mercosul junto com a Argentina, o Uruguai e a Venezuela - importa produtos extrazona para vender em regime turístico especial na fronteira. Esta importação sofreu uma queda de 28% no último ano, segundo números oficiais

14:10 | 09/04/2016
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O Paraguai conseguiu aumentar suas exportações ao Brasil, mas a severa crise que afeta seu vizinho teve um forte impacto na fronteira comum.

"Não é nenhum segredo que o Paraguai tem uma fronteira muito vibrante com o Brasil. Há negócios ligados à compra do cliente brasileiro e esta compra está hoje quase morta", disse neste sábado, 9, à AFP o ministro de Indústria e Comércio, Gustavo Leite.

O Paraguai - sócio do Brasil no Mercosul junto com a Argentina, o Uruguai e a Venezuela - importa produtos extrazona para vender em regime turístico especial na fronteira. Esta importação sofreu uma queda de 28% no último ano, segundo números oficiais.

"Se olharmos os números, acreditamos que mais ou menos 1 bilhão de dólares é o que o Paraguai (...) deixou de importar e isso é menos venda para as pessoas e menos receitas para o fisco", explicou.

Embora o desemprego na fronteira seja afetado por esta redução, o Paraguai conseguiu aumentar em 5% suas exportações manufaturadas ao Brasil no último ano, indicou.

"O Paraguai tenta substituir tudo aquilo que o Brasil compra da Ásia: autopeças, plásticos, brinquedos, confecções. Acredito que tivemos sucesso em trazer algumas empresas multinacionais, assim como empresas brasileiras" que fogem da crise, disse Leite.

"Nos dois últimos anos 55 indústrias de capital brasileiro se instalaram no Paraguai", acrescentou.

"Tem um lado bom e um lado ruim", indicou o ministro. "Embora o comércio na fronteira tenha nos afetado gravemente, pelo lado do crescimento industrial acredito que o Paraguai encarou a crise como uma oportunidade para baratear produtos ao seu vizinho, seu principal sócio comercial".

O Paraguai encerrou 2015 com um crescimento econômico acima de 3%.

O FMI estimou que "em um contexto de desaceleração regional prolongada, a economia do Paraguai permanece relativamente resistente", razão pela qual estima um crescimento de 3% para este ano e para o próximo.

AFP

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