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Opinião: Turquia tem que rever prioridades

13:43 | 13/01/2016
Ancara deve mudar o foco: é hora de priorizar o diálogo com os curdos do PKK e concentrar esforços na luta contra o "Estado Islâmico", afirma o correspondente em Istambul, Reinhard Baumgarten. Por estes dias, pesadelos se tornam reais na Turquia. O terrorismo chegou à megalópole Istambul, o que não é surpresa. Na Alemanha, o medo é grande, pois turistas alemães são a maioria das vítimas do ataque terrorista mais recente. Agora, muitos alemães vão perceber que também são afetados quando para citar Goethe "bem longe, na Turquia, os povos se enfrentam". Pois foi exatamente isso que aconteceu, e com virulência cada vez maior. Três ataques terroristas de grandes dimensões, com quase 150 mortos, ocorreram na Turquia nos últimos sete meses. As vítimas são militantes de esquerda e curdos. Os agressores eram seguidores da milícia terrorista que se autointitula "Estado Islâmico" (EI). Ao mesmo tempo, uma guerra civil não declarada entre forças de segurança turcas e militantes curdos do PKK assola as regiões curdas da Turquia. Os conflitos já custaram centenas de vidas. Os mortos são terroristas do PKK, insiste o governo. Já os curdos falam em muitas vítimas civis. A Turquia está em guerra contra os terroristas. O foco está na guerra contra os curdos do PKK, mas os piores atentados contra civis foram executados pelo "Estado Islâmico". Desta vez, turistas alemães foram atingidos, e o choque e a consternação são grandes na Alemanha. Por que alemães? Provavelmente acaso, em conformidade com a lei da probabilidade: os alemães são o maior grupo de turistas na Turquia, com 5 milhões de visitantes todos os anos, e porque, atingindo o turismo, atinge-se uma base importante da economia turca. Segundo o governo turco, o homem-bomba de Istambul é um seguidor do "Estado Islâmico" de novo. Por anos o Estado turco tolerou, protegeu e muitas vezes até apoiou militantes islamistas, afirmaram meios de comunicação críticos nos últimos anos. O governo em Ancara sempre rejeitou essas acusações, e hoje a liderança turca praticamente não precisa mais temer esse tipo de acusação, pois eliminou o jornalismo crítico na Turquia. Esse também é um aspecto do atual pesadelo turco. Agora chegou a hora de os aliados de Ancara agirem: eles devem pressionar para que a Turquia combata o terrorismo islâmico de forma bem mais enfática e para que o conflito interno com os curdos do PKK não seja decidido nas armas, mas com diálogo. Se esses dois pontos foram implementados, então há esperança de que o terrorismo seja ele de que forma for seja combatido de forma eficaz e de que a Turquia não descambe de vez para a guerra civil.
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