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No Parlamento Europeu, papa critica continente "envelhecido e abatido"

11:21 | 25/11/2014
Em visita a Estrasburgo, Francisco apela para que Europa retome postura de liderança global. Pontífice também pede mais compreensão com a situação dos milhares de refugiados que chegam ao continente. Em discurso no Parlamento Europeu nesta terça-feira (25/11), o papa Francisco pediu que a União Europeia supere a crise econômica, para que possa retomar seu papel de liderança global. Francisco afirmou que o objetivo da visita a Estrasburgo era trazer uma mensagem de esperança aos europeus, cuja confiança nas instituições foi abalada pela crise econômica. Além disso, os moradores do continente encontram-se espiritualmente "à deriva", numa cultura que não mais valoriza a dignidade dos seres humanos, disse. "Uma Europa que não mais se abre à dimensão transcendente da vida é uma Europa que arrisca perder sua alma aos poucos", afirmou o pontífice. "A Europa dá a impressão de estar um tanto envelhecida e abatida, como se sentisse cada vez menos como protagonista num mundo que com frequência se refere a ela com indiferença", afirmou o papa aos parlamentares europeus. "Encontramos uma impressão geral de abatimento e envelhecimento, de uma Europa que é hoje como uma avó, não mais fértil e vibrante", observou Francisco. "Chegou a hora de abandonarmos essa ideia de uma Europa medrosa e narcisista, para reavivar e encorajar uma Europa de liderança." O papa também falou sobre a questão dos milhares de refugiados vindos de países da África e do Oriente Médio. "Não podemos permitir que o Mar Mediterrâneo se torne um vasto cemitério", alertou. "Os barcos que chegam diariamente às praias da Europa estão cheios de homens e mulheres que precisam de aceitação e assistência." Apenas neste ano, mais de 3.200 pessoas morreram ao tentar chegar à Europa, fugindo de conflitos em seus países de origem. Centenas de pessoas reuniram-se para assistir ao pronunciamento do papa em telões colocados em frente à catedral de Estrasburgo. Dessa vez, o pontífice abriu mão do papamóvel e do contato direto com os fiéis, e dedicou sua viagem de apenas quatro horas de duração a mais curta já realizada ao exterior por um papa ao Parlamento e ao Conselho Europeu. A visita também foi marcada por protestos, muitos criticando a decisão do presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, de convidar um líder religioso para discursar numa instituição laica. O líder da Igreja Católica também se reuniu brevemente com os presidentes da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy. RC/ap/afp
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