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Morre o presidente de Zâmbia, Michael Sata, conhecido como "Rei Cobra"

De acordo com a Constituição, o vice-presidente do país, Guy Scott, foi nomeado formalmente presidente interino

10:26 | 29/10/2014

O presidente de Zâmbia, Michael Sata, faleceu na última terça-feira, 28, em Londres aos 77 anos, depois de vários meses doente e afastado da vida pública, o que alimentou uma batalha feroz por sua sucessão no comando deste país produtor de cobre.

De acordo com a Constituição, o vice-presidente do país, Guy Scott, foi nomeado formalmente presidente interino, anunciou o ministro da Defesa, Edgar Lungu, que estava provisoriamente no cargo.

A morte de Michael Sata foi anunciada durante a manhã pelo secretário-geral do governo zambiano, Roland Msiska.

Depois de pedir calma aos compatriotas, Msiska informou que Sata faleceu no hospital londrino King Edward VII, uma semana depois de viajar à capital britânica para receber tratamento médico.

Há vários meses os boatos indicavam que Sata estava gravemente enfermo. Ele não foi visto em público desde que retornou da Assembleia Geral da ONU em setembro, onde não conseguiu fazer um discurso.

"Não estou morto", afirmou Sata em 19 de setembro no Parlamento, em uma rara aparição em público.

Apesar da negação oficial sobre a doença do presidente, analistas afirmam que uma luta pelo poder foi travada nos últimos meses nos bastidores para suceder Sata.

Agora muitos esperam uma guerra aberta pelo poder neste país rico em recursos naturais, terras, florestas, água, cobalto, esmeraldas e, sobretudo, cobre, responsável por 70% da arrecadação com exportações.

O país teve um sistema de partido único entre as décadas de 70 e 90, mas desde então passou por duas alternâncias políticas pacíficas.

As próximas eleições gerais estavam previstas para 2016, mas após a morte de Sata, a votação presidencial deve acontecer nos próximos 90 dias.

Com a nomeação desta quarta-feira, 29, Scott é o primeiro branco chefe de Estado africano desde o sul-africano F. W. de Klerk nos anos 90.

Zâmbia, país de quase 15 milhões de habitantes e considerado uma potência neo-emergente, registra há uma década um crescimento superior a 6% e tem uma política de inspiração chinesa.

Mas a economia dinâmica e os recursos obtidos com a exploração do cobre não foram traduzidas em uma redução significativa da pobreza e do desemprego, algo que Sata sempre denunciou quando estava na oposição, antes de frustrar as expectativas de muitos simpatizantes depois de chegar ao poder.

 

AFP

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