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Indecisos e abstenção devem fazer a diferença no segundo turno

20:16 | 22/10/2014
Brasileiros que optaram por nulo ou branco e os que não foram às urnas somaram quase 30% do total do eleitorado no primeiro turno. Tendência de menor comparecimento em Norte e Nordeste pode ser obstáculo para Dilma. Na eleição mais disputada desde 1989, os eleitores indecisos e os que pretendem se abster vão ter um papel crucial na escolha do novo presidente. A quatro dias do pleito, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) jogam suas fichas para tentar conquistar parte dos 38 milhões de pessoas que votaram nulo, branco ou não foram às urnas no primeiro turno ou seja, quase 30% do eleitorado. Dilma e Aécio estão tecnicamente empatados nas pesquisas de intenção de voto, com a petista (52%) liderando a corrida por quatro pontos, o limite da margem de erro. Uma ampliação da distância entre os candidatos é tida como improvável. E analistas dizem que, por isso, ambos estão mirando nos indecisos e têm o desafio de levar mais gente às urnas em seus redutos eleitorais. "O papel dos indecisos é muito importante porque a distância entre os dois candidatos é muito pequena", diz o cientista político Valeriano Costa, da Unicamp. "O indeciso é aquele que tem menos condições de escolher objetivamente por critérios políticos, socioeconômicos ou ideológicos. E eles dependem muito das comparações entre as fichas pessoais dos candidatos." A propaganda eleitoral no rádio e na TV e o último debate presidencial, marcado para esta sexta-feira (24/10) na TV Globo, têm importância-chave para o eleitor indeciso. Muitos deles, segundo especialistas, escolhem o candidato na véspera ou minutos antes de entrar na cabine de votação. É incerto qual candidato terá maior poder de captar os votos dos indecisos. Costa afirma que Dilma deve ter a maior parte desse eleitorado, já que a petista conseguiu suscitar dúvidas em parte dos brasileiros sobre a trajetória política de Aécio e sobre sua gestão como governador de Minas Gerais. Já o cientista político Vicente Fonseca, do Ibmec/DF, aposta que Aécio deve garantir cerca de 70% dos votos dos indecisos eles representam, junto a intenções de voto nulo ou branco cerca de 10% do total do eleitorado, segundo a última pesquisa Datafolha. "As pessoas estão escutando muito sobre corrupção no governo Dilma e começaram a ser sensibilizadas sobre o assunto. Aécio deve puxar muitos votos de eleitores que desejam a mudança", diz Fonseca. Expectativa de menor comparecimento Outro fator importante para decidir uma disputa acirrada é a abstenção, que foi de 19,39% no primeiro turno (cerca de 27,6 milhões de eleitores). A tendência é que a exemplo das eleições presidenciais de 2002, 2008 e 2010 a cifra cresça no segundo turno. Caso o comportamento seja o mesmo de 2010, o segundo turno em 2014 deverá registrar um aumento de cerca de 3 pontos percentuais na parcela de abstenções, o que pode levar a cifra de eleitores que não votaram a 31,5 milhões. Entre os motivos está o fato de que menos candidatos estão na corrida eleitoral no segundo turno a disputa para os cargos de deputado federal, estadual e senador se encerrou no primeiro turno, e a para governador vai ocorrer somente em 13 estados e no Distrito Federal. "É normal esse desinteresse do eleitor no segundo turno, já que, além de haver menos candidatos concorrendo, há a questão de que as multas e sanções para quem não votou são muito pequenas, o que não é um grande empecilho para o eleitor", diz Costa. De acordo com especialistas, a abstenção de eleitores do Norte e Nordeste, regiões onde Dilma obteve grande parte de seus votos, pode afetar a reeleição da presidente. A eleição de Aécio pode ser comprometida caso se registre mais abstenções nas regiões Sul e Sudeste, onde o tucano é mais forte que a petista. Em comparação, Dilma ganhou em 15 estados no primeiro turno e obteve mais de 60% dos votos em estados como Maranhão e Bahia, por exemplo. Respectivamente, esses dois estados registraram 23,63% e 23,19% de abstenção. E ambos já têm governador eleito. Já Aécio venceu em nove estados e no Distrito Federal. Em São Paulo, por exemplo, ganhou com 44%, e a abstenção foi de 19,52%. Em Santa Carina, obteve 52% de apoio nas urnas, e apenas 16,41% dos eleitores não foram votar. Para o sociólogo Rodrigo Prando, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, feriados municipais ou estaduais podem também retirar o foco da eleição. "Deve haver uma tendência de maior abstenção nas regiões Norte e Nordeste do país, e isso, obviamente, seria prejudicial à Dilma", opina.
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