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Crise eleva pobreza infantil nos países ricos

14:40 | 28/10/2014
Segundo o Fundo das Nações Unidas para Infância, pobreza infantil aumentou em mais da metade de 41 países desenvolvidos, afetando diretamente 2,6 milhões de crianças. Pelo menos 2,6 milhões de crianças passaram a viver abaixo da linha de pobreza nas nações mais desenvolvidas do mundo desde a crise econômica de 2008, afirma o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) em relatório apresentado nesta terça-feira em Roma. O estudo, com o título As crianças da recessão, mostra que o número de menores vivendo na pobreza em 41 nações atingiu 76,5 milhões, o equivalente a quase toda a população da Turquia. "Muitos países ricos deram um grande salto para trás em termos de rendimento familiar, e o impacto sobre as crianças terá consequências duradouras para elas e suas comunidades", afirmou Jeffrey O'Malley, chefe de política global e estratégia do Unicef. O estudo realizado pelo órgão da ONU avaliou os países industrializados que fazem parte da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), bem como nações da União Europeia. Constatou-se que, em 23 dos 41 países avaliados, a pobreza infantil aumentou, como resultado direto da crise. As crianças foram especialmente atingidas nos países que mais sofreram economicamente. Na Irlanda, Croácia, Letônia, Grécia e Islândia, o nível de pobreza aumentou em mais de 50%. Na Grécia, a mais simbólica vítima da crise europeia, a renda familiar média de famílias com crianças caiu para o nível de 1998 o equivalente a um retrocesso de 14 anos na escala de rendimentos. Destacando o impacto da crise, o Unicef afirmou que o percentual de domicílios que não conseguem comprar carne, frango ou peixe de dois em dois dias mais do que duplicou em países como Estônia, Grécia e Itália. Entretanto, o relatório apresentou também bons índices. Em 18 países, a pobreza infantil caiu, algumas vezes drasticamente. Austrália, Chile, Finlândia, Noruega, Polônia e Eslováquia, por exemplo, reduziram os níveis em cerca de 30%. Programas de ajuda social A organização criticou o fato de a maioria dos países desenvolvidos ter encerrado as políticas de ajuda social em 2010, quando articulou cortes orçamentais. A medida teve impacto negativo sobre as crianças, principalmente as da região do Mediterrâneo. "Os cortes no orçamento em programas de proteção social geraram um sério efeito cascata", afirma o Unicef. Nos Estados Unidos, onde a extrema pobreza infantil aumentou mais nesta crise do que durante a recessão de 1982, os programas sociais foram um apoio fundamental para famílias pobres, mas menos eficazes para os miseráveis desempregados, diz o Unicef. A pobreza infantil aumentou em 34 dos 50 estados norte-americanos desde o início da crise. "Todos os países precisam de programas sociais para proteger as crianças nos períodos ruins e bons e as nações ricas devem dar o exemplo, explicitamente comprometendo-se a erradicar a pobreza infantil, desenvolvendo políticas para cobrir as crises econômicas e fazendo do bem-estar infantil uma prioridade", acrescentou O'Malley. NM/afp/dpa
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