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Anti-islamistas vencem eleições parlamentares na Tunísia

08:43 | 30/10/2014
Partido Nidaa Tounes conquista maioria dos assentos no Parlamento, o que lhe dá o direito de nomear o primeiro-ministro. Islamista Ennahda, que comandou o país depois da revolução em 2011, fica em segundo lugar. O principal partido secular da Tunísia, o liberal Nidaa Tounes (Chamada da Tunísia), que tem ligação com o regime deposto, conquistou a maioria dos assentos no Parlamento nas eleições realizadas no último domingo, deixando os antes dominantes islamistas em segundo lugar, anunciaram as autoridades eleitorais na manhã desta quinta-feira (30/10). O Nidaa Tounes, com uma plataforma explicitamente anti-islâmica, ficou com 85 assentos no novo parlamento de 217 membros, o que lhe dá o direito de nomear o primeiro-ministro e liderar um governo de coalizão. Já o partido islamista moderado Ennahda assegurou 69 assentos, o que representa cerca de 32% do no Parlamento, perdendo 23 cadeiras. Num distante terceiro lugar, ficou o partido União Patriótica Livre, com 16 lugares. O Nidaa Tounes, que inclui empresários, sindicalistas e políticos do antigo regime, procurará formar uma coalizão em negociações que devem durar semanas, até que o novo governo seja configurado. O Ennahda busca um governo de unidade nacional, que inclua seu movimento islâmico. Entretanto, o Nidaa Tounes descartou a formação de uma coligação com os islamistas, descrevendo-a como "contra a sua natureza, e se voltará para um conjunto de pequenos partidos para angariar a necessária maioria de 109 assentos. O Ennahda, que venceu as primeiras eleições no país após a queda do presidente Ben Ali, em 2011, felicitou o Nidaa Tounes por se tornar o maior partido no primeiro parlamento a ser eleito desde então. O movimento pediu aos seus simpatizantes que celebrassem a "democracia", apesar da derrota, centenas deles se reuniram ao redor da sede do partido, em Túnis. "Consideramos que a Tunísia triunfou e que o Ennahda venceu por conduzir o país a esta fase", disse Abdelhamid Jelassi, coordenador nacional do partido, cujo slogan de campanha foi "consenso". Desde a derrubada do ditador Bem Ali - na chamada Revolução dos Jasmins, que deu a partida para a "Primavera Árabe" , a Tunísia tem sido atingida por uma turbulência da econômica e ataques terroristas. Analistas descreveram a eleição de domingo como um referendo sobre a atribulada coligação liderada pelos islamistas por dois anos e uma punição a eles pelo fraco desempenho econômico e pelas expectativas não cumpridas da revolução. NM/afp/ap/rtr
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