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Oscar Pistorius é condenado por homicídio culposo de sua namorada

Um dia depois de absolvê-lo da acusação de crime premeditado, a juíza sul-africana Thokozile Masipa afirmou que Pistorius havia agido com negligência

07:42 | 12/09/2014
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O atleta paralímpico sul-africano Oscar Pistorius foi condenado nesta sexta-feira, 12, por homicídio culposo de sua namorada Reeva Steenkamp, um veredicto que pode acarretar uma longa pena de prisão.

Um dia depois de absolvê-lo da acusação de crime premeditado, a juíza sul-africana Thokozile Masipa afirmou que Pistorius havia agido com negligência ao disparar quatro tiros contra a porta fechada do banheiro de sua casa, na noite de São Valentim de 2013, em 14 de fevereiro.

"Uma pessoa razoável teria previsto a possibilidade de que quem estivesse atrás da porta poderia morrer devido aos tiros, e teria tomado medidas para evitar as consequências. O acusado nesta questão não levou em conta estas consequências", afirmou a juíza.
Após o veredicto, o atleta, de 27 anos, ficou olhando fixamente para frente.

Na galeria eram emitidos gemidos e gritos dos amigos de Reeva Steenkamp, incluindo Desi Myers, cujos lábios tremiam de emoção.

Barry Steenkamp, pai da modelo formada em Direito e que havia sido eleita uma das mulheres mais bonitas do mundo pela revista FHM, segurou a cabeça entre as mãos, enquanto sua esposa, June, apertava os lábios e sacudia a cabeça.

Agora espera-se que a juíza anuncie a pena em algumas semanas. Como descartou a premeditação, terá grande liberdade para decidir a punição que irá impor a Pistorius.

Anteriormente, vários juízes se mostraram surpresos pelo fato de a juíza ter descartado a premeditação, e previram que o caso irá provavelmente para além deste veredicto.

O professor de direito penal James Grant, da Universidade Wits, afirmou que o Estado pode apelar se pensar que ocorreu um erro legal.

"Todos estão um pouco surpresos", indicou a advogada Audrey Berndt. A juíza "deveria ter explicado seu raciocínio um pouco mais", acrescentou.

[SAIBAMAIS 1]

Masipa, cuja carreira a levou de uma infância em um município pobre de Johannesburgo à alta corte do país, descreveu Pistorius como "uma testemunha muito ruim", que se mostrava evasivo ao ser interrogado.

Em paralelo à morte de sua namorada, Oscar Pistorius também foi julgado por outras três acusações menores, relacionadas a armas de fogo.

O atleta foi declarado culpado de ter atirado por negligência em um restaurante muito movimentado, mas foi absolvido de posse ilegal de munição e de ter aberto fogo a partir de um carro.

O incidente no restaurante, em Johannesburgo, ocorreu semana antes de matar a tiros sua namorada.

Pistorius foi acusado de pedir para ver uma arma no restaurante Tasha's, e de ter disparado ao manipulá-la embaixo da mesa.

"Ele pode não ter apertado o gatilho intencionalmente (...) mas isso não o absolve do crime de manejar com negligência uma arma de fogo", disse a juíza Masipa, sustentando que "o acusado tinha familiaridade suficiente com as armas de fogo".

O processo pela morte de Reeva Steenkamp, acompanhado com grande interesse na África do Sul e em muitos outros países durante seis meses, também trouxe à tona a vida particular deste homem que foi motivo de glória nacional por muitos anos.

Durante o julgamento, Pistorius perdeu em algumas ocasiões o controle, chorou e inclusive vomitou ao ouvir que a cabeça de sua namorada explodiu pelo impacto das balas.

Oscar Pistorius alcançou fama mundial durante os Jogos Olímpicos de Londres em 2012, quando competiu com suas próteses ao lado de atletas sem deficiência. Aos 11 meses o atleta teve ambas as pernas amputadas abaixo dos joelhos.

AFP

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