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Entenda as implicações de uma possível independência da Escócia

13:33 | 11/09/2014
Uma era de mais de 300 anos pode acabar no dia 18 de setembro, quando escoceses decidem sobre a separação da Escócia do Reino Unido. Caso o "sim" vença, o novo Estado terá desafios políticos e econômicos. A Escócia se torna independente imediatamente após a contagem dos votos? No referendo a ser realizado em 18 de setembro será somente votado se os escoceses querem se tornar independentes. Caso a maioria dos eleitores se decidam pela separação, a independência não é imediata. Pelo plano atual, a data convencionada seria o dia 24 de março de 2016. No mais tardar até o final da transição, diversas questões políticas e econômicas deverão ser esclarecidas. Uma Escócia independente continuaria associada à União Europeia e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)? Caso se separe do Reino Unido, a Escócia será um novo Estado após o final da fase de transição, no início de 2016. E como novo Estado, ela precisa requerer a adesão à UE. O mesmo vale para a Otan: como novo Estado, a Escócia não continua associada de forma automática e, assim, tem que apresentar um novo pedido. A adesão, porém, somente é aceita se o novo Estado obtiver a aprovação de todos os países-membros da Otan. O que significa para a Europa a independência da Escócia? Muitos países europeus estão preocupados com o referendo. Pelo fato de os escoceses serem considerados mais pró-Europa do que o restante dos britânicos, a separação do Reino Unido iria fortalecer o campo dos eurocéticos. Caso o Reino Unido realize, como anunciado, o referendo em 2017 sobre a adesão à UE, a falta de quatro milhões de votos de eleitores da Escócia poderia ser decisiva para que os contrários à associação sejam bem-sucedidos. Além disso, uma independência escocesa poderia influenciar os movimentos de independência em outros países, como na Espanha e Bélgica. Para o Reino Unido, a independência escocesa poderia significar que, num futuro próximo, a Irlanda do Norte também queira seguir o mesmo caminho. Qual moeda teria a Escócia independente? Até março de 2016, a libra permanecerá o meio de pagamento na Escócia. Após o período de transição, Londres rejeita uma união monetária de forma categórica. O premiê escocês Alex Salmond, porém, anunciou que a libra pode ser mantida como moeda nacional em caso de necessidade também sem o consentimento dos britânicos. Neste caso, entretanto, a Escócia não teria um banco central próprio e não poderia imprimir ela mesma dinheiro adicional. Uma possível adesão da Escócia independente à União Europeia impõe a obrigação do país em introduzir o euro. Antes disso, porém, os países candidatos devem indexar suas moedas ao euro antes de incorporar formalmente a moeda do bloco europeu. Uma alternativa seria também uma moeda própria. A Escócia imprime atualmente notas de libras escocesas próprias que têm paridade com a libra esterlina. Com uma moeda própria, caso necessário, o governo poderia desvalorizá-la e influenciar as taxas de juros. Assim, possíveis buracos no orçamento poderiam ser tapados com essas medidas. O que acontece com as dívidas conjuntas da Escócia e Reino Unido? Londres já sinalizou que, inicialmente, ficará responsável por toda a dívida pública caso a Escócia se decida pela independência. Após a fase de transição, como desejado pelo governo britânico, a Escócia terá que assumir uma "parte justa e proporcional do passivo financeiro do Reino Unido". É questionável, porém, se as dívidas serão divididas conforme o desempenho econômico ou percentual populacional do novo Estado. Para a Escócia, a primeira opção seria a mais barata.

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