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Israel e Hamas acertam breve trégua na Faixa de Gaza

00:55 | 17/07/2014
O Exército israelense decidiu interromper por cinco horas os bombardeios à Faixa de Gaza na quinta-feira, abrindo uma "janela humanitária" para permitir que os habitantes se abasteçam, em um anúncio feito depois da morte de oito crianças no território palestino e acatado pelo grupo radical Hamas.

O Exército "vai fornecer uma janela humanitária quinta-feira, 17 de julho. Entre 10h e 15h locais (4h às 9h de Brasília) o Tsahal (Exército) vai suspender suas atividades operacionais na Faixa de Gaza e interromper os disparos", indicou o texto.

Mas um alerta também foi lançado indicando que, se "o Hamas ou outras organizações terroristas explorarem esta janela humanitária (...), o Exército vai responder com firmeza". O Hamas anunciou ter concordado com um cessar-fogo temporário pedido pela ONU por razões humanitárias.

"O grupo aceita um cessar-fogo de cinco horas", afirmou o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zukhri, em um comunicado. Esta quarta-feira, nono dia de uma ofensiva aérea retomada após o fracasso de uma tentativa de trégua, foi marcada pela intensificação dos ataques israelenses.

Enquanto dezenas de novos foguetes palestinos eram disparados a partir do território palestino em direção a Israel, esforços eram mantidos para tentar pôr fim ao banho de sangue após o fracasso de um primeiro cessar-fogo proposto pelo Egito.

Esse acordo havia sido aceito na véspera por Israel, mas rejeitado pelo Hamas, que controla a Faixa de Gaza. Um representante do movimento islamita palestino, Mussa Abu Marzuk, reuniu-se no Cairo com lideranças egípcias, e com o presidente palestino, Mahmud Abbas, sem que um avanço esteja no horizonte. "O Egito e os palestinos, incluindo o Hamas, estão mantendo as reuniões para chegarem a um acordo de cessar-fogo", indicou à AFP Ghazi Hammad, representante do Hamas em Gaza, considerando que os esforços feitos até o momento eram "fracos".

Diante da recusa do Hamas, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse não ter "outra escolha, a não ser estender e intensificar" a campanha militar contra Gaza, um pequeno território de 362 quilômetros quadrados onde 1,8 milhão de pessoas vivem na miséria, submetidas a um bloqueio israelense há vários anos.

Crianças mortas
Dezenas ataques aéreos acompanhados de bombardeios de artilharia atingiram casas de autoridades do Hamas e outros alvos em Gaza, matando 25 palestinos, incluindo pelo menos oito crianças, de acordo com fontes dos serviços de emergência palestinos.

Quatro delas morreram em um bombardeio que destruiu uma casa de pescadores em uma praia da Cidade de Gaza, perto do porto, onde havia um grupo de jovens, a 200 metros de um hotel utilizado pelos jornalistas.

Algumas crianças ensanguentadas correram gritando para o hotel em busca de proteção. Uma delas tinha um ferimento grave na barriga. Ela desmaiou e foi levada às pressas pelos funcionários do hotel para uma ambulância. Ahed Atef Baker, de 10 anos, Zacharia Ahed Baker, também de 10, Mohamed Ramez Baker, de 9, e Ismail Mohamed Baker, de 11, foram as crianças mortas no ataque. Todas eram primas.

O Exército israelense indicou que vai investigar esse bombardeio, classificando o incidente de "trágico". "Vamos investigar cuidadosamente o incidente em questão", indicou o Exército em um comunicado, ressaltando que o alvo eram os "terroristas do Hamas".

No total, 226 palestinos foram mortos e cerca de 1.600 ficaram feridos, civis em sua grande maioria, em nove dias de ofensiva contra Gaza, de acordo com um último registro dos serviços de emergência palestinos.

Do lado israelense, um civil de 37 anos morreu na terça-feira, atingido por um foguete no momento em que distribuída comida aos soldados posicionados na fronteira com Gaza.

Antes do amanhecer, o Exército havia enviado mensagens de SMS e distribuído folhetos para cerca de 100.000 moradores do norte de Gaza pedindo que deixassem as suas casas antes das 5h GMT (2h de Brasília), diante da previsão de bombardeios intensos, afirmando que não queria "fazer mal" às pessoas.
Os jornalistas da AFP no local não constataram uma saída em massa dos moradores. Muitos diziam que não tinham para onde ir.

"Eles jogam esses folhetos de aviões para dizer às pessoas comuns que saiam. Mas para onde devemos ir? É melhor ficarmos e morrermos em nossas casas", disse Fayçal Hassan. Dez ONGs israelenses criticaram os métodos do Exército, já que os moradores não têm para onde fugir.

A Agência da ONU para Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNRWA) indicou que já havia recebido 21.000 refugiados. Vários deles estão dormindo no chão devido à falta de estrutura para receber um número tão elevado. Israel anunciou que mais de mil foguetes haviam atingido seu território em nove dias e que mais de 250 tinham sido destruídos pelo sistema de defesa "Iron Dome" (Cúpula de Ferro).

Onda de violência
A nova onda de violência entre israelenses e palestinos foi desencadeada pelo sequestro seguido do assassinato de três estudantes israelenses em junho, em um episódio atribuído por Israel ao Hamas. O movimento palestino negou as acusações. Pouco depois, um jovem palestino foi morto queimado vivo em Jerusalém.

As forças israelenses ainda não iniciaram uma operação terrestre, que parece iminente. Dezenas de milhares de soldados de Israel estão mobilizados na fronteira com Gaza. Para Giora Eiland, ex-diretor do Conselho Nacional de Segurança israelense, uma ofensiva terrestre é o único meio de "destruir" a rede de túneis construída pelo Hamas. "Parece que vamos nesta direção".

O Hamas, considerado por Israel, Estados Unidos e a União Europeia uma "organização terrorista", descartou qualquer cessar-fogo sem um acordo global pelo fim do bloqueio à Gaza, pela abertura da passagem na fronteira com o Egito e pela libertação de presos.

Depois de ter recebido em Jerusalém a chefe da diplomacia italiana, Federica Mogherini, cujo país preside a UE, Netanyahu afirmou que "o Hamas tem toda a responsabilidade pela continuação da violência".

AFP

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