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Separatistas no leste ucraniano ignoram ultimato de Kiev

08:28 | 14/04/2014
Milícias pró-russas continuaram ocupando prédios administrativos em várias localidades da região, mesmo após fim do prazo dado pelo governo ucraniano. Kiev reconhece possibilidade de plebiscito sobre sistema federativo. Milícias pró-russas fortemente armadas continuavam na manhã desta segunda-feira (14/04) ocupando prédios administrativos em várias localidades no leste da Ucrânia, mesmo após fim do prazo dado pelo governo ucraniano para desocupação dos edifícios. O presidente interino da Ucrânia, Alexander Turchinov, enviou um sinal de contemporização aos separatistas, ao reconhecer a possibilidade da realização de um plebiscito no país para aprovação ou não de um sistema federativo, como exigem separatistas russos. "Estou convencido de que uma clara maioria de ucranianos votará a favor de uma Ucrânia unida, independente e democrática", sublinhou o presidente interino da Ucrânia, Alexander Turchinov, se referindo à ideia de um plebiscito sobre a instituição de um sistema federalista no país. Ele anunciou que a consulta poderia ser realizada no mesmo dia das eleições presidenciais, previstas para 25 de maio. Tanto os separatistas pró-russos como Moscou se manifestaram insistentemente por mais autonomia às regiões de maioria russa. Prazo esgotado O governo ucraniano determinou no domingo o que chamou de uma "operação antiterrorista" no leste da Ucrânia, dando um ultimato às milícias pró-russas para que deponham as armas até a manhã desta segunda-feira. Após o esgotamento desse prazo, entretanto, nada parecia indicar que os separatistas estariam dispostos a cumprir a exigência de Kiev. Em combates entre tropas de elite e milícias várias pessoas foram mortas e feridas no domingo, conforme o ministro do Interior ucraniano, Arsen Avakov. De acordo com ele, a operação se concentrou na cidade de Slaviansk. A administração da região de Donetsk relatou "conflitos armados" em uma estrada entre Slaviansk e Donetsk. "Foi derramado sangue na guerra que a Rússia conduz contra a Ucrânia", afirmou o presidente interino da Ucrânia, Alexander Turchinov na noite de domingo em um discurso transmitido pela televisão. Ele informou ter determinado uma "grande operação antiterrorismo" para dar fim à instabilidade no leste do país. "Não vamos permitir que a Rússia repita o cenário da Crimeia nas regiões orientais", acrescentou Turchinov. Acusações mútuas no Conselho de Segurança Rússia e Ucrânia se acusaram mutuamente pelo derramamento de sangue no leste da Ucrânia durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU. O embaixador russo nas Nações Unidas, Vitaly Churkin, alertou o governo ucraniano contra uma operação militar contra as milícias pró-russas. O representante ucraniano, Yuri Sergeyev, disse que o ataque foi "encenado pela Rússia". Churkin disse que só o Ocidente pode acabar com a "guerra civil" na Ucrânia e que Kiev deve suspender imediatamente o "uso da força" contra os ucranianos que vivem no leste do país e iniciar "um verdadeiro diálogo". Durante os acalorados debates no Conselho de Segurança, nenhum dos 14 membros do grêmio quis ficar ao lado de Moscou. Alemanha se mostra preocupada A embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, Samantha Power, acusou a Rússia de estar por trás das revoltas, afirmando que os incidentes foram "escritos e coreografados" pela Rússia. Power exigiu, além disso, que a Rússia retire suas tropas da fronteira com a Ucrânia. O embaixador britânico na ONU, Mark Lyall Grant, acusou a Rússia de tentar impor sua vontade ao povo da Ucrânia, através de "desinformação, intimidação e agressão". Seu colega francês, Gérard Araud, disse, em referência à anexação da Crimeia pela Rússia, que o cenário no leste da Ucrânia recorda os acontecimentos naquela península há um mês. Na próxima quinta-feira, EUA, Rússia, Ucrânia e União Europeia pretendem se reunir em Genebra pela primeira vez para tratar da crise ucraniana. O ministro do Exterior da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, pediu a Moscou que se empenhe para ir à reunião. Ele afirmou que a situação está tão delicada que "os responsáveis, no leste e no oeste, têm de se encontrar para evitar algo pior", afirmou o político em entrevista à TV alemã. MD/afp/rtr/dpa

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