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Opinião: Dupla canonização de papas foi jogada brilhante de Francisco

11:18 | 28/04/2014
Ao declarar santos o conservador João Paulo 2° e o reformista João 23, Francisco evita se posicionar sobre as brigas internas da Igreja e deixa todas as opções em aberto, opina chefe da editoria de religião, Stefan Dege. Ninguém pressionou o papa Francisco a canonizar ao mesmo tempo dois pontífices que o precederam. Mas ele tinha boas razões para fazê-lo. Os dois papas representam posições opostas na Igreja. E o atual papa se posicionou exatamente entre eles. Foi uma jogada diplomática brilhante. João Paulo 2°, também conhecido como o papa viajante, destacou-se na unificação política da Europa. Ao mesmo tempo, deu um curso conservador à Igreja. Já João 23 "abriu portas e janelas, para deixar entrar um ar fresco na Igreja", como disse um historiador eclesiástico. Ele iniciou o Concílio Vaticano 2º, com suas reformas, garantindo, assim, uma abertura rumo às pessoas. Uma canonização recai sobre o papa que a realiza, mesmo que ele não tenha iniciado o processo. Ele revela sua visão do pontificado. O conservador polonês aqui, o reformador italiano ali Francisco se coloca entre esses dois opostos, mas sem enfatizar a oposição existente entre eles. O papa Francisco quer que eles sejam vistos como complementares. E isso é inteligente. Só assim Francisco constrói pontes, o que é urgentemente necessário. Pois a briga por mais influência dentro da Igreja é grande. Após a posse do humilde e carismático Francisco, há um ano, começou nos bastidores do Vaticano e não somente lá um ferrenho cabo-de-guerra entre tradicionalistas e reformistas. Os próximos passos de Francisco no Sínodo sobre moral sexual católica, no segundo semestre, ou no que tange à questão da descentralização das decisões eclesiásticas vão mostrar até onde vai sua coragem para realizar reformas. E quem o seguirá dentro da Igreja. Com a dupla canonização, o papa Francisco não definiu uma posição. Mas manteve para todos poderem ver todas as opções em aberto.

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