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O papa popular como uma estrela do rock

Durante seu pontificado de 27 anos (1978-2005), esse ex-ator poliglota viajou para mais de 100 países para se reunir com pessoas comuns e lhes transmitir a mensagem cristã

11:19 | 25/04/2014
A popularidade do papa argentino Francisco não ofuscou em nada a fama de seu carismático antecessor polonês João Paulo II, que será canonizado em 27 de abril no Vaticano, junto com João XXIII.

Durante seu pontificado de 27 anos (1978-2005), esse ex-ator poliglota viajou para mais de 100 países para se reunir com pessoas comuns e lhes transmitir a mensagem cristã.

Seu comportamento contrastava com os hábitos de muitos papas anteriores, mais distantes dos fiéis.

João Paulo II "rompia as regras do protocolo. Seus seguranças costumavam se ver em apuros. Muitas vezes afastava-se do trajeto programado e ia para as pessoas", lembra o sociólogo especializado em religião Pawel Boryszewski.

Tanto em sua Polônia natal quanto em outros países católicos, seus admiradores celebram sua canonização de diversas formas.

Um atleta do norte da Polônia caminhará 2.000 km para assistir à canonização no Vaticano, onde são esperados cerca de cinco milhões de fiéis.

Um alemão de origem polonesa comprou e reformou o carro que havia pertencido ao ainda cardeal Karol Wojtyla, entre 1958 e 1977, e fará a peregrinação nesse veículo. Nas Filipinas, país asiático de maioria católica, centenas de fiéis já visitaram uma exposição das relíquias do papa João Paulo II.

"Estou feliz. Agora que vi essas relíquias, posso morrer", disse à AFP a professora aposentada Gene Suárez, de 67 anos, na pequena capela de Manila, onde estão expostas lembranças fúnebres - mechas do cabelo do falecido papa e um pedaço de tecido manchado de sangue. Os objetos serão apresentados em todo o país nos próximos meses.

Na Irlanda, vários objetos com o rosto do papa estão vendendo como água nas lojas de lembrancinhas do Santuário de Knock, visitado por João Paulo II em 1979. "As pessoas procuram objetos, lembranças de João Paulo II, como fotos, ou cartões de oração", diz Peg Carmody, dono de uma loja de suvenires, em Limerick.

Ao mesmo tempo em que os católicos argentinos se entusiasmam com o papa Francisco, eles também conservam a lembrança do pontífice polonês, que atuou como mediador para impedir uma guerra com o Chile em 1978.

A devoção não impede que muitos católicos admitam que a imagem da Igreja tenha sido arranhada pelos escândalos de padres pedófilos no pontificado de João Paulo II.

"Acho que foi o melhor papa, mas tudo aquilo que aconteceu mancha um pouco sua imagem. O papa Francisco está corrigindo os problemas que outros criaram e que, agora, vêm à luz", afirma a equatoriana Paola Minoscal, de 26 anos, estudante de Comunicação Audiovisual em Buenos Aires.

Já na Polônia, esse distanciamento crítico é inexistente, e João Paulo II é objeto de uma adoração inigualável. Seus compatriotas continuam a considerá-lo um herói nacional e a máxima autoridade moral.

Para os poloneses, esse primeiro papa não italiano em quatro séculos estremeceu as bases do regime comunista. João Paulo II também permanece na lembrança como o pontífice que visitou na prisão o turco Ali Agca, que tentou matá-lo em 1981.

De João Paulo II "sempre emanou um grande humanismo, e tanto fiéis quanto não fiéis consideraram-no uma personalidade maravilhosa", destaca a professora Halina Marciniak, que preside uma associação de 1.300 escolas polonesas batizadas com o nome do papa.

AFP

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