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Aumenta tensão entre pró-russos e forças de segurança no leste da Ucrânia

11:58 | 13/04/2014
Avanço de militantes com armamento especial russo continua perto da fronteira. EUA aumentam pressão sobre Moscou, enquanto protagonistas e mediadores marcam reunião em Genebra para discutir a crise na região. Uma "operação antiterrorismo" da polícia ucraniana contra grupos pró-russos fez vítimas de ambos os lados neste domingo (13/04), na cidade de Slavyansk. Segundo o ministro ucraniano do Interior, Arsen Avakov, um agente do serviço secreto foi morto e cinco policiais ficaram feridos. O número de vítimas entre os separatistas, porém, é desconhecido. Avakov os acusa de haver empregado "escudos humanos" e de atirar "para matar" contra as forças especiais. Os moradores da cidade no leste da Ucrânia foram instados a não deixar suas casas e a se manter longe das janelas. Pela manhã, o ministro ordenara uma "luta antiterror" contra os militantes pró-russos que haviam tomado o controle sobre Slavyansk na noite de sábado. Sob os brados de "Rússia! Rússia!" dos numerosos espectadores, 20 homens em uniformes camuflados haviam invadido o quartel-general da polícia um dia antes, no sábado. De acordo com Avakov, a intenção principal do grupo era se apossar das 20 metralhadoras e 400 pistolas guardadas na unidade e "distribuí-las entre os manifestantes". Em seguida, os militantes atacaram a sede do serviço de inteligência SBU e um prédio administrativo. Na prefeitura, içaram a bandeira russa, e ergueram barricadas nas estradas de acesso à cidade de 100 mil habitantes. "Agressão russa" Na capital regional Donetsk, cerca de 100 quilômetros de Slavyansk, 200 pró-russos armados de bastões invadiram a sede da polícia, cujo chefe cedeu à pressão dos ativistas. Avakov ainda informou que na cidade de Kramatorsk, a 95 quilômetros da fronteira da Ucrânia com a Rússia, cerca de 20 homens tomaram o quartel-general da polícia, após troca de tiros. Há também notícias de choques em Krasnyi Lyman (na província de Donetsk Oblast), onde "combatentes armados" atacaram a polícia com fuzis kalashnikov que, nas palavras do ministro do Interior, "só existem nas Forças Armadas russas". Em sua página no Facebook, o ministro Avakov declarou que "as autoridades da Ucrânia encaram os eventos de hoje como uma demonstração de agressão por parte da Federação Russa". Os ativistas exigem de Kiev um referendo sobre a independência do leste no país. Devido à crise na região, o presidente interino ucraniano, Oleksander Turchinov, convocou o Conselho de Segurança nacional neste domingo. Potências ocidentais: ameaças e mediação Em resposta aos últimos acontecimentos na Ucrânia, os Estados Unidos dirigiram novas ameaças a Moscou. Em telefonema com seu homólogo russo, Serguei Lavrov, o secretário de Estado americano, John Kerry, aludiu a operações "coordenadas" no leste ucraniano, realizadas por militantes equipados com armas especiais russas. Kerry traçou paralelos da atual situação com os acontecimentos recentes na Crimeia, que antecederam a anexação da península pela Rússia, e ameaçou Moscou com "mais consequências", caso não tome medidas para uma distensão no leste do país vizinho. Lavrov voltou a rechaçar as acusações de Washington. Segundo ele, a crise teria sido causada pelo governo "inepto" em Kiev, conforme divulgou agência de notícias Itar-Tass, citando o ministro. Ainda para ele, a liderança ucraniana ignora os direitos dos cidadãos de idioma russo. Em 22 de abril, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, viaja para a capital ucraniana, onde conversará com representantes do governo. De acordo com um comunicado da Casa Branca, durante a visita ele pretende enfatizar a "o forte apoio americano a uma Ucrânia democrática unida, que decide sobre seus próprios caminhos futuros". Para a próxima quinta-feira, em Genebra, está programado o primeiro encontro direto entre a Rússia, EUA, Ucrânia e União Europeia. Segundo o ministro alemão do Exterior, Frank-Walter Steinmeier, a primeira meta é a "desescalada" da tensão. A longo prazo, os negociadores pretendem "evitar o colapso político e econômico da Ucrânia e cuidar para que ela permaneça coesa, enquanto país". "Isso é mais difícil do que muitos creem", afirmou Steinmeier. AV/afp/dpa/rtr

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