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Papa Francisco inicia reforma da Cúria romana

14:20 | 24/02/2014

O papa Francisco iniciou nesta segunda-feira sua reforma da Cúria romana com a criação de uma Secretaria da Economia para coordenar a polêmica gestão financeira e administrativa do Vaticano, uma etapa crucial para seu projeto.

O organismo coordenará todas as estruturas administrativas e financeiras da Santa Sé e será presidido pelo cardeal australiano George Pell, atual arcebispo de Sydney e um dos purpurados que faz parte do G-8, o grupo de assessores do pontífice encarregado de estudar a reforma do governo central da Igreja.

Trata-se da primeira medida importante que o papa latino toma para reformar a Cúria romana depois de uma série de escândalos e intrigas na gestão das finanças da Santa Sé.

"A nova secretaria terá a autoridades sobre todas as atividades econômicas e administrativas da Santa Sé e da Cidade do Vaticano", indica a entidade em um comunicado oficial.

A Secretaria de Economia contará com 15 membros - oito padres e sete laicos - de várias nacionalidades e renomados especialistas em finanças, segundo o comunicado.

Os membros deverão ser provenientes de diferentes países para que seja um "reflexo da universalidade" da Igreja, o que é uma clara indicação de que Francisco quer evitar que a gestão e o controle financeiro concentrem-se nas mãos de prelados italianos.

A criação da secretária foi decidida também por recomendação de uma comissão de 15 cardeais, que examinaram "os problemas organizacionais e econômicos" do Vaticano depois de uma série de escândalos de corrupção e abuso de poder nas finanças da Santa Sé.

A corrupção e a desordem imperante por décadas na administração do Estado são denunciadas desde os anos 80, com a quebra do então maior banco da Itália, o Ambrosiano.

O Instituto de Obras para a Religião (IOR), mais conhecido como Banco do Vaticano, principal acionista do Ambrosianos e questionado pela lavagem de dinheiro e intrigas internas, ficará a cargo da nova secretaria, o que constitui uma espécie de terremoto na gestão das finanças da Igreja.

As mudanças adotadas por Francisco, que nunca trabalhou na Cúria, têm como objetivo principal "melhorar o emprego dos recursos e dos programas, em particular aqueles dirigidos aos pobres e marginalizados", segundo o comunicado do Vaticano.

O papa tomou esta decisão através de um "motu próprio", documento assinado de próprio punho e letra pelo pontífice, que será publicado pelo L'Osservatore Romano, o jornal do Vaticano, informou o porta-voz padre Federico Lombardi.

A criação da secretária foi decidida também por recomendação de uma comissão de 15 cardeais, que examinaram "os problemas organizacionais e econômicos" do Vaticano depois de uma série de escândalos de corrupção e abuso de poder nas finanças da Santa Sé.

O prefeito da Secretaria de Economia, o cardeal Pell, iniciará suas tarefas o mais rápido possível, segundo a nota.

A decisão do Papa foi tomada ao final do primeiro consistório e após a proclamação dos primeiros 19 cardeais do pontificado de Francisco, iniciado em 13 de março de 2013.

Uma resposta concreta às exigências dos cerca de 150 cardeais que participaram do consistório.

Os objetivos da reforma são "simplificar, melhorar, coordenar e planejar", de acordo com fontes do Vaticano.

Francisco criou três comissões para resolver a questão econômica: um para investigar o IOR, outra para rever o conjunto econômico e administrativo da Santa Sé e uma terceira para racionalizar e intensificar a vigilância nas finanças do Vaticano.

Na semana passada, duas delas apresentaram os seus relatórios para o G-8 e o Papa.


O Papa também autorizou receber assessoria de grandes empresas privadas estrangeiras, incluindo a KPMG, Ernest&Young, Promontory, McKinsey, PWC (PricewaterhouseCoopers), para facilitar a modernização de seus organismos.

Um "controlador-geral", com poderes para intervir em todas as instituições, será nomeado diretamente pelo Papa. Seu nome ainda não foi indicado.

A reforma da contestada gestão das finanças do Vaticano é um dos maiores desafios para o pontífice. O Banco do Vaticano administra 19.000 contas pertencentes principalmente ao clero católico, com cerca de 7 bilhões de euros, e também lida com o dinheiro de congregações religiosas.

AFP

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