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Chineses voltam a defender liberdade de imprensa

11:49 | 08/01/2013
Manifestações a favor da liberdade de imprensa continuavam nesta terça-feira na China, um dia depois de a mídia estatal ter afirmado que a polêmica em torno da censura contra o jornal liberal Southern Weekly foi agravada por "forças estrangeiras" hostis.

"Apoie o Partido Comunista, apoie Mao Tsé-tung, apoie ataques contra a mídia traidora", gritava nesta terça-feira um grupo de partidários do governo, agitando bandeiras chinesas, enquanto se aproximava de uma dezena de ativistas que estava reunido em frente à sede do jornal, expressando apoio à publicação.

A manifestação desta terça-feira pareceu menor do que as demonstrações de ontem, quando centenas de pessoas expressaram apoio ao Southern Weekly, um dos jornais mais respeitados da China, desencadeando um conflito com as autoridades sobre acusações de censura.

Defensores do periódico rasgaram uma bandeira da China que estava em posse dos manifestantes pró-governo. Algumas pessoas estavam mascaradas e outras carregavam cartazes, nos quais pediam proteção ao Southern Weekly. Manifestantes também agitavam notas de dinheiro contra os defensores do governo, acusando-os de terem sido pagos pelas autoridades locais para protestar. Logo, os dois lados entraram em conflito.

O choque ocorrido nesta terça-feira na cidade de Guangzhou (Cantão) aconteceu após o tabloide nacionalista Global Times alegar, em sua edição de ontem, que grande parte das informações e dos comentários mais agressivos sobre o incidente no Southern Weekly foram apoiados ativamente por ativistas estrangeiros, principalmente aqueles com laços com o ativista cego Chen Guangcheng.

O editorial do Global Times, que foi amplamente reproduzido em várias redes sociais chinesas, não explica a conexão entre o jornal liberal e Chen, que saiu da China no ano passado para estudar na Universidade de Nova York após fugir de prisão domiciliar e buscar refúgio na embaixada norte-americana em Pequim.

Culpar estrangeiros tem sido uma das táticas mais usadas das autoridades do governo. Conflitos relacionados à censura contra o Southern Weekly se tornaram um desafio à nova liderança do país. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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