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Chineses protestam contra censura e testam líderes

16:51 | 07/01/2013
Conflitos relacionados à censura de um jornal liberal chinês, o Southern Weekly, se tornaram um desafio à nova liderança do país, em meio a protestos e pedidos por reformas democráticas ocorridos nesta segunda-feira. Centenas de pessoas fizeram uma manifestação hoje contra a censura ao jornal e pediram a remoção do chefe de propaganda do Partido Comunista na cidade de Guangzhou (Cantão), o ministro provincial Tuo Zhen. O protesto, raro na China, ocorre após um grupo de 18 professores universitários e intelectuais terem enviado uma carta a Pequim, pedindo ao Politburo que remova Tuo do cargo.

Os manifestantes apoiaram o jornal em seu confronto com Tuo após a publicação ter sido forçada a transformar o editorial de Ano Novo, que falava da necessidade de reformas políticas no país, em um texto que elogiava o Partido Comunista. Fontes afirmam que pelo menos um dos departamentos de notícias do jornal entrou em greve.

Os manifestantes se reuniram em frente à sede do Southern Weekly em Guangzhou, no sul da China, colocaram flores no portão e levantaram cartazes que pediam liberdade de expressão, reformas políticas e democracia. "Acredito que o cidadão comum deve despertar", disse um dos manifestantes, Yuan Fengchu. "As pessoas estão começando a perceber que seus direitos foram eliminados pelo Partido Comunista e se sentem constantemente oprimidas".

"Os leitores é que deveriam decidir se o conteúdo é bom ou ruim. Isso não é uma função do governo e dos funcionários públicos", disse Ah Qiang, escritor e ativista que participou do protesto nesta segunda-feira.

O professor de direito He Weifang, que está entre os intelectuais que assinaram o manifesto pedindo o afastamento de Tuo, disse que o bom trabalho do jornal precisa ser defendido da censura.

"O Southern Weekly é conhecido como um jornal que publica a verdade, mas após Tuo Zhen ter chegado à província de Guangdong, ele constantemente passou a pressionar os jornalistas. Precisamos que ele tome consciência que não pode fazer isso", disse He. "Esse é um teste para descobrirmos se a nova liderança em Pequim está determinada a realizar reformas políticas", disse.

Consultado pela Associated Press, o departamento de propaganda da província de Guangdong não respondeu. A imprensa chinesa tem se tornado mais ousada nos últimos anos em algumas coberturas, principalmente nas matérias de esportes e sobre celebridades. Mas a censura a temas políticos permanece cerrada - embora o governo afirme que não existe censura - e essa postura começou a atrair críticas abertas dos jornalistas e intelectuais.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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