Chefe de facção é condenado por mandar matar mulher que "atraía a Polícia"
O homem ordenou a morte da vítima em julho de 2025. Os surtos psiquiátricos da vítima faziam vizinhos chamarem a Polícia, o que incomodava o tráfico local
O Conselho de Sentença da 6ª Vara do Júri de Fortaleza condenou, nessa quarta-feira, 11, o réu Rafael Ferreira Castro a uma pena de 42 anos, cinco meses e dez dias de reclusão. O POVO teve acesso à sentença judicial.
Apontado como chefe de uma facção criminosa, ele foi julgado por ordenar a execução de uma mulher que sofria de transtornos mentais, sob a justificativa de que as crises dela "atrapalhavam" as atividades do tráfico de drogas na região.
De acordo como Tribunal de Justiça (TJCE), o julgamento, realizado no Fórum Clóvis Beviláqua, começou às 9 horas e foi concluído às 15 horas.
O réu foi condenado por homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, além dos crimes de corrupção de menores e organização criminosa. Ele iniciará o cumprimento da pena em regime fechado.
Vítima foi morta quando embarcava em um ônibus
O caso foi registrado em julho de 2025, quando a vítima foi executada no interior de um ônibus. Segundo a investigação, a ordem para o crime partiu de Rafael, mas a execução teve o envolvimento de adolescentes, o que fundamentou a condenação do réu também por corrupção de menores.
A denúncia do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) verificou que a vítima não tinha envolvimento com o crime organizado, mas sofria de problemas psiquiátricos graves. Frequentemente, ela entrava em crise, gritava ou causava tumulto, o que levava vizinhos e populares a acionarem a Polícia Militar para conter a situação ou prestar socorro.
Para Rafael Castro, que comandava o tráfico de drogas na área onde a mulher vivia, a presença constante de viaturas policiais atendendo aos chamados de saúde mental tornou-se um problema, pois "atrapalhava" a venda de entorpecentes.
O criminoso decretou a morte da mulher, que foi executada enquanto embarcava em um ônibus na avenida Sargento Hermínio. Na ocasião, dois adolescentes participaram da ação e os tiros causaram tumulto entre passageiros e motoristas. Em seguida, eles fugiram.
"Após a execução brutal dentro do transporte coletivo, o grupo criminoso, incluindo os adolescentes executores e o mandante, dirigiu-se a uma casa de praia para comemorar o êxito da empreitada criminosa", descreve a denúncia do MPCE.