Dionísio Torres: 60 anos da morte do empresário que marcou a história de Fortaleza
Responsável por iniciativas que marcaram a ciência e o crescimento urbano, hoje, seu nome identifica um dos mais importantes bairros da capital cearense
Há 60 anos, no dia 3 de fevereiro de 1966, morria em Fortaleza o empresário e farmacêutico Dionísio de Oliveira Torres. Responsável por iniciativas que ajudaram a moldar o desenvolvimento urbano, científico e social da capital cearense, Dionísio Torres dá nome a um dos bairros mais tradicionais da capital.
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Nascido em 1887, em Mossoró, no Rio Grande do Norte, Dionísio Torres era filho de pai português e mãe potiguar. Aos três anos de idade, mudou-se com a família para Fortaleza, onde construiu toda a sua trajetória pessoal e profissional.
Com 19 anos formou-se em Farmácia, iniciando pesquisas na área da saúde que o levariam a se tornar proprietário do laboratório Malwil.
Ainda jovem, casou-se com Georgia de Castro Mota Torres, com quem teve 11 filhos. Em 1913, participou da fundação do Centro Médico Cearense — a segunda entidade médica criada no Brasil e atualmente chamada Associação Médica Cearense (AMC).
A instituição tornou-se uma voz ativa na saúde pública no Estado, reunindo médicos e pesquisadores em torno de debates científicos e políticas sanitárias.
A atuação de Dionísio Torres, no entanto, foi além da área da saúde. Em 1920, ele adquiriu uma área de aproximadamente 75 hectares na então periferia de Fortaleza. No local, fez plantio simétrico de cerca de três mil coqueiros — considerado o primeiro do Estado.
Dentro da propriedade, fundou a granja leiteira Estância Castelo, tornando-se o primeiro criador cearense de gado holandês de alta linhagem, importado do Uruguai.
O espaço, inicialmente conhecido apenas como Estância, começou a se transformar em área urbana a partir de 1939, com a criação do loteamento Estância Castelo.
Parte do terreno também foi cedida pelo empresário ao Governo do Estado para a construção de uma caixa d’água de abastecimento — estrutura que ainda hoje permanece no mesmo local.
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A altitude privilegiada da área, com cerca de 50 metros acima do nível do mar, foi importante para que, no fim da década de 1950, o local fosse escolhido para sediar a TV Ceará, a primeira emissora de televisão do Estado.
A partir dessa instalação, outros empreendimentos de comunicação passaram a ocupar o entorno. Até hoje, a região abriga alguns dos mais importantes veículos de comunicação do Ceará, concentrados principalmente na Praça da Imprensa.
Na década de 1960, o empresário também destinou parte das terras do antigo sítio Estância Castelo para ações sociais.
A doação beneficiou famílias vindas do Interior do Estado e resultou na criação da Vila Vicentina, conjunto residencial localizado na avenida Antônio Sales com 40 unidades, que até hoje permanecem de pé, resistindo à alta pressão imobiliária da região.
Dionísio Torres morreu no dia 3 de fevereiro de 1966, em decorrência de uma hemorragia cerebral, aos 78 anos. Pouco depois, em 1968, o bairro passou a carregar oficialmente seu nome.
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