Cearenses suspeitos de "falsa central" bancária para aplicar golpes são alvos de operação

Alvos integram grupo criminoso no Estado com braço em São Paulo e são apontados por golpes bancários em Mato Grosso. Operação busca cumprir 27 ordens judiciais nesta quarta-feira, 28

17:42 | Jan. 28, 2026

Por: Mirla Nobre
Operação intitulada Devassare foi deflagrada pela Polícia Civil do Mato Grosso (foto: Divulgação/PC-MT)

Dois cearenses, apontados como integrantes de um grupo criminoso instalado no Estado, são alvos de uma operação da Polícia Civil do Mato Grosso, deflagrada nesta quarta-feira, 28. Eles são suspeitos de aplicar golpes bancários por meio de uma “falsa central” de atendimento.

A operação busca cumprir 27 ordens judiciais contra crimes de estelionatos eletrônicos, lavagem de dinheiro e organização criminosa interestadual. O grupo especializado em golpes na internet possui ramificações no estado de São Paulo.

Na operação, foram expedidos oito mandados de busca e apreensão domiciliar, oito de bloqueios bancários, oito de sequestro de bens e três de medidas cautelares diversas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá.

A Polícia Civil informou que os mandados estão sendo cumpridos em Fortaleza e nas cidades de Ribeirão Preto, Mauá, Praia Grande e São Bernardo do Campo, em São Paulo. A investigação teve início após a denúncia de uma das vítimas do grupo criminoso, registrada em Cuiabá.

Conforme as apurações policiais, o grupo atuava a partir do contato com as vítimas por meio de mensagens SMS e ligações telefônicas se passando por falsos atendentes bancários. No contato, eles informavam sobre uma suposta transação via PIX pendente de cancelamento.

No caso de Cuiabá, a vítima, induzida em erro, realizou procedimentos em terminal bancário, em que contratou, de forma indevida, um empréstimo e em transferências financeiras não autorizadas.

Diante das informações, a Delegacia de Estelionato identificou um grupo criminoso instalado no Ceará com braço em São Paulo. Foi identificado movimentações de transferências de Pix em contas bancárias e bens patrimoniais.

Os valores, segundo os agentes, eram incompatíveis com os padrões sociais dos investigados. Também foi identificado que uma parte dos valores roubados foi utilizada para o pagamento de créditos tributários junto à Secretaria da Fazenda de São Paulo (Sefaz/SP) e recebidos por terceiros que utilizaram os créditos para quitação de IPVA.

Além disso, foi registrado transferências fracionadas para contas de terceiros e empresas, evidenciando o emprego de mecanismos voltados à ocultação e dissimulação da origem ilícita dos recursos.

Suspeitos seriam corretores de imóveis e sócios de empresa em Fortaleza

A investigação identificou que dois dos principais suspeitos do grupo criminoso interestadual tinham o mesmo endereço e se apresentavam como corretores de imóveis. Além disso, eram sócios em uma empresa de em Fortaleza, que seria utilizada para lavagem do dinheiro dos golpes.

De acordo com a Polícia Civil, o dinheiro subtraído saia da Capital com destino a São Paulo. Na região, os valores eram utilizados para tributos das empresas. Os locais estão entre os alvos mandados buscas e apreensão e identificação de novos elementos que possam auxiliar nos avanços das investigações.

O delegado responsável pelas investigações, Bruno Palmiro, representou pelas ordens judiciais contra os investigados, que foram deferidas pela Justiça e são cumpridas nos endereços dos alvos investigados.

Ainda segundo Palmito, o objetivo da operação é interromper a atividade criminosa, preservar provas, identificar todos os envolvidos, bem como rastrear e assegurar valores subtraídos do crime.

O cumprimento das ordens judiciais é realizado pelas Polícias Civis do Ceará e de São Paulo. As investigações seguem em andamento para identificação de demais envolvidos e de outras vítimas do grupo criminoso.